Presos para sempre: El Salvador endurece ainda mais contra o crime
Desde 2022, El Salvador adotou uma política linha-dura contra o crime. Com detenções em massa, o país fez sua população carcerária quase triplicar e atingir 109.000 pessoas.
Agora, o governo de Nayib Bukele aumenta a aposta ao aprovar uma reforma que endurece ainda mais as leis. Com isso, o total de presos deverá subir: o país adotou a prisão perpétua para os crimes de homicídio, estupro ou terrorismo. Antes, a pena máxima era de 60 anos. A medida vale também para menores de 18 anos.
“Demos às famílias a tranquilidade de saber que nenhum desses criminosos jamais verá a luz do dia novamente”, afirmou o presidente da Assembleia, Ernesto Castro, após a aprovação da medida.
A alteração foi oficializada no final de março, quando a política adotada por Bukele completou quatro anos. O presidente decretou estado de emergência, que permite prisões sem mandado judicial. Até o fim de março, 91.650 suspeitos foram presos por acusação de integrarem gangues. Desses, cerca de 8.000 foram libertados, pois eram inocentes. O governo diz ainda que indicadores criminais tiveram quedas expressivas. A taxa de homicídios por 100.000 habitantes fechou 2025 em 1,3, o menor valor da série histórica, iniciada em 1992.
El Salvador virou exemplo de combate à violência para partidos de direita na América Latina. O Equador está construindo uma megaprisão, semelhante ao Cecot, cadeia de segurança máxima símbolo da gestão Bukele. Lá, não há banho de sol nem visitas, e as luzes nunca se apagam. O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente do Brasil, esteve no local em novembro e disse em entrevistas que pretende se inspirar no modelo salvadorenho, caso seja eleito.
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