Prévia do PIB, emprego nos EUA e ata do BCE: o que move os mercados
Esta quinta-feira, 16, concentra indicadores relevantes de atividade e inflação no exterior, além de dados antecedentes do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e a divulgação de resultados corporativos importantes em Wall Street.
Entre os destaques, investidores acompanham o CPI da zona do euro, o IBC-Br no Brasil e indicadores de mercado de trabalho e atividade industrial nos Estados Unidos.
Às 09h, o Banco Central (BC) divulga o IBC-Br de fevereiro, indicador considerado uma prévia mensal do PIB. Em janeiro, o índice havia avançado 0,80%. A expectativa do mercado agora é de alta de 0,40%.
Ata do BCE no radar e emprego nos EUA
Na Europa, a agenda começa cedo, às 03h, o Reino Unido divulga uma série de indicadores relevantes, como o PIB mensal de fevereiro (estimativa de alta de 0,1%), além de dados de produção industrial, produção do setor de construção, balança comercial e índice de atividade do setor de serviços. Os números ajudam a calibrar as expectativas sobre a trajetória de crescimento da economia britânica.
Às 04h30, o Banco Nacional Suíço divulga sua avaliação de política monetária, documento acompanhado de perto por investidores porque sinaliza a leitura do banco central sobre inflação, crescimento e câmbio — fatores que influenciam decisões futuras sobre juros na Europa e o comportamento do franco suíço, tradicional ativo de proteção em momentos de aversão a risco.
Já, às 05h, saem os dados de inflação ao consumidor da Itália referentes a março, incluindo o índice harmonizado europeu. O indicador é relevante por ajudar a antecipar tendências inflacionárias dentro da zona do euro e pode influenciar as expectativas para os próximos passos do Banco Central Europeu (BCE), especialmente no debate sobre cortes de juros ao longo do ano.
Às 06h, a Eurostat divulga o índice de preços ao consumidor da zona do euro referente a março. A expectativa é de inflação anual de 2,5%, acima dos 1,9% registrados anteriormente. No núcleo — que exclui energia e alimentos — a projeção é de 2,3%.
Discurso de Anneli Tuominen, membro do Conselho Fiscal do Banco Central Europeu, às 06h15, também está no radar.
Mais tarde, às 08h30, o Banco Central Europeu (BCE) publica a ata da última reunião de política monetária, documento acompanhado de perto por investidores em busca de sinais sobre o ritmo futuro de cortes de juros. Às 10h, é a vez de Isabel Schnabel, membro do Conselho Executivo do BCE, fazer seu pronunciamento.
Nos Estados Unidos, o destaque às 09h30 fica para os pedidos semanais de seguro-desemprego, um dos termômetros mais sensíveis do mercado de trabalho. A expectativa é de 213 mil solicitações iniciais, ante 219 mil na leitura anterior.
No mesmo horário, será divulgado o índice de atividade industrial do Fed da Filadélfia referente a abril. Na sequência, John Williams, presidente do Fed de Nova York e vice-presidente do FOMC, discursará.
Mais tarde, às 10h15, saem dados de produção industrial e utilização da capacidade instalada de março, acompanhado de perto por investidores por oferecer sinais sobre o ritmo da atividade no setor manufatureiro — um dos principais termômetros do ciclo econômico americano.
A expectativa é de alta de 0,1% na produção industrial mensal, após avanço de 0,2% na leitura anterior, enquanto a variação anual está projetada em 1,44%. No mesmo horário, também saem os dados de vendas da indústria, com previsão de crescimento de 0,1%, e a taxa de utilização da capacidade instalada, estimada em 76,3%.
Esse conjunto de indicadores ajuda o mercado a avaliar pressões inflacionárias potenciais e possíveis implicações para a trajetória de juros do Federal Reserve (Fed).
Já às 11h30, o destaque fica para os estoques semanais de gás natural, indicador relevante para o mercado de energia por influenciar expectativas de oferta, preços e custos industriais — especialmente em um momento de maior sensibilidade global às commodities energéticas.
Na sequência, às 12h30, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos realiza leilões de títulos públicos com vencimentos em 4 semanas e 8 semanas. Esses eventos são monitorados de perto porque funcionam como termômetro da demanda por ativos considerados seguros e ajudam a calibrar as expectativas sobre liquidez global e comportamento dos juros de curto prazo.
Para fechar, às 17h30, o Fed publica a atualização de seu balanço patrimonial.
Na Ásia, às 06h, a China divulga o número de investimento estrangeiro direto (IED) de março. O dado funciona como termômetro da confiança internacional na economia chinesa e é monitorado por investidores globais por seus impactos sobre comércio internacional, demanda por commodities e crescimento dos mercados emergentes.
Temporada de balanços: Netflix e grandes financeiras
No campo corporativo, investidores acompanham a divulgação dos resultados da Netflix (NFLX) após o fechamento do mercado. Segundo a CNBC, analistas consultados pela LSEG projetam crescimento anual de cerca de 15% no lucro da companhia. No trimestre anterior, a empresa reportou 325 milhões de assinantes globais.
O Goldman Sachs elevou recentemente sua recomendação para compra, citando a estratégia de investimento em conteúdo, expansão em entretenimento ao vivo, games e retornos consistentes ao acionista. Apesar disso, historicamente as ações recuaram após os três últimos balanços trimestrais — incluindo uma queda de cerca de 10% após o resultado do terceiro trimestre.
Também divulgam resultados PepsiCo (PEP) e Bank of New York (BK). Os números ajudam a calibrar as expectativas para a temporada de resultados do primeiro trimestre nos Estados Unidos.
Tensão no Mar Vermelho entra no radar dos mercados
O conflito no Oriente Médio segue no radar dos investidores após ameaças do Irã de ampliar a pressão sobre rotas marítimas estratégicas, incluindo o Mar Vermelho, em resposta às restrições impostas pelos Estados Unidos ao uso do Estreito de Ormuz.
A escalada ocorre em meio ao bloqueio naval norte-americano que já interrompe parte relevante das exportações de petróleo iraniano — cerca de 2 milhões de barris por dia — elevando o risco de novas disrupções na oferta global de energia, segundo a Reuters.
Antes da escalada recente, cerca de 20% do petróleo mundial transitava por rotas próximas ao Estreito de Ormuz, o que explica a sensibilidade dos preços a qualquer ameaça de interrupção. Mesmo sem fechamento efetivo das rotas, o petróleo já embute um prêmio de risco geopolítico, refletindo a persistência das tensões e as incertezas sobre o fluxo marítimo na região.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: