Produção industrial no Brasil, emprego nos EUA e balanços: o que move os mercados

Por Caroline Oliveira 7 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Produção industrial no Brasil, emprego nos EUA e balanços: o que move os mercados

Uma agenda macro intensa deve pautar os mercados nesta quinta-feira, 7, com divulgação de indicadores relevantes na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil, além de uma série de discursos de dirigentes de bancos centrais — combinação que tende a elevar a volatilidade ao longo do dia.

O que acompanhar no Brasil

No Brasil, a agenda começa às 08h, com a divulgação do Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR) de abril pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Em seguida, às 09h, o principal destaque é a produção industrial de março, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com expectativa de queda de 0,2% na comparação mensal (ante alta de 0,9%) e avanço de 3,5% na base anual, após retração de 0,7%.

Às 15h, o mercado acompanha a balança comercial de abril, com superávit projetado em US$ 10,9 bilhões, acima dos US$ 6,41 bilhões registrados anteriormente, oferecendo sinais sobre o desempenho do setor externo.

Agenda dos EUA

Nos Estados Unidos, a agenda ganha tração a partir das 09h30, com os pedidos iniciais de seguro-desemprego projetados em 205 mil, após 189 mil na leitura anterior.

No mesmo horário, saem os dados de produtividade do primeiro trimestre, com estimativa de 0,7% (ante 1,8%), e do custo unitário da mão de obra, projetado em 2,6% (ante 4,4%), além dos pedidos contínuos, estimados em 1,8 milhão, após 1,785 milhão na divulgação anterior.

Mais tarde, às 11h, serão divulgados os gastos com construção de março, com expectativa de alta de 0,3%, após queda de 0,3% na leitura anterior. Às 11h30, saem os estoques de gás natural, projetados em 72 bilhões de pés cúbicos, ante 79 bilhões na divulgação anterior.

Às 12h, serão conhecidas as expectativas de inflação ao consumidor, que marcou 3,4% anteriormente. Na sequência, às 12h30, será atualizado o GDPNow do Fed de Atlanta, com projeção de 3,7%, em linha com a leitura anterior.

O dia ainda inclui dados de crédito ao consumidor às 16h, com expectativa de US$ 12,5 bilhões, após US$ 9,48 bilhões anteriormente, além de discursos de membros do Federal Reserve (Fed), como John Williams às 16h30. Em seguida, o balanço do Fed completa a agenda norte-americana.

O que ficar de olho na Europa e na Ásia

Na Europa, o foco inicial recai sobre a atividade industrial e o consumo. Logo cedo, às 03h, a Alemanha divulga as encomendas à indústria de março, com expectativa de alta de 1,0% após avanço de 0,9% no mês anterior.

Na sequência, às 03h45, a França apresenta uma bateria de indicadores, incluindo balança comercial, com projeção de déficit de €6,7 bilhões, ante €5,8 bilhões, exportações e importações, além de dados de transações correntes e emprego.

Ainda na região, às 04h30, serão divulgadas as leituras de abril dos PMIs de construção — indicadores que medem o nível de atividade do setor. Na última divulgação, os índices vieram em 48,0 na Alemanha, 38,4 na França, 46,8 na Itália e 44,6 na Zona do Euro.

Mais tarde, às 06h, saem os dados de vendas no varejo de março no bloco, que medem o ritmo do consumo. Na leitura anterior, houve queda de 0,2% na comparação mensal e alta de 1,7% na base anual. Para esta divulgação, a expectativa é de recuo de 0,3% no mês e avanço de 1,0% em 12 meses.

Ao longo do dia, investidores acompanham discursos de dirigentes do Banco Central Europeu (BCE): Luis de Guindos às 04h15, Philip Lane às 05h00 e 09h40, e Isabel Schnabel às 14h — falas que podem trazer sinais sobre os próximos passos da política monetária.

Na Ásia, o destaque fica para os dados de reservas internacionais. Às 03h45, Hong Kong divulga suas reservas, que na última leitura somaram US$ 430,8 bilhões. Em seguida, às 04h00, a China publica as suas reservas cambiais, anteriormente em US$ 3,342 trilhões.

No Japão, à noite, saem os PMIs de abril às 21h30. Na última leitura, o índice de serviços ficou em 51,2, enquanto o composto marcou 52,4, ambos indicando expansão da atividade. A expectativa é de manutenção nesses níveis.

Bateria de balanços corporativos

A quinta-feira promete ser movimentada nos mercados, com uma agenda carregada de divulgação de balanços no Brasil e no exterior.

No Brasil, antes da abertura, o destaque é o resultado da Porto Seguro (PSSA3), que funciona como termômetro para o setor de seguros e serviços financeiros.

Após o fechamento, uma forte bateria de empresas divulga seus números do primeiro trimestre, incluindo nomes de peso como Localiza (RENT3), B3 (B3SA3), Sabesp (SBSP3), Cemig (CMIG4), Caixa Seguridade (CXSE3), Magazine Luiza (MGLU3), Ultrapar (UGPA3), Engie Brasil (EGIE3), Hapvida (HAPV3), Vivara (VIVA3), Fleury (FLRY3) e PetroReconcavo (RECV3).

No exterior, a agenda também é robusta, com resultados de grandes companhias globais como Shell (SHEL), McDonald’s (MCD), Gilead (GILD), Sabesp via ADR (SBS), Mercado Libre (MELI), Airbnb (ABNB), McKesson (MCK) e Motorola Solutions (MSI).

Descompressão diplomática com riscos elevados

A dinâmica recente no Oriente Médio combina sinais de descompressão diplomática com riscos ainda elevados no campo geopolítico.

De um lado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou que o Irã demonstra interesse em negociar um acordo, com avanços na construção de um memorando inicial entre os dois países, segundo informações da Reuters.

Esse movimento sugere uma possível redução de tensões no curto prazo, embora temas sensíveis — como o programa nuclear iraniano — siga sendo um ponto de discordância.

Um dos principais objetivos de Trump ao lançar ataques militares contra o Irã era garantir que Teerã não desenvolvesse uma arma nuclear. O Irã ainda não entregou mais de 408 kg de urânio altamente enriquecido.

No campo energético, qualquer sinal de aproximação já tem impacto direto nos preços. O petróleo do tipo Brent registrou queda de 7%, sendo negociado a US$ 101,88 por barril.

No entanto, o Estreito de Ormuz segue como ponto crítico. A região, responsável por cerca de um quinto do fluxo global de petróleo e gás, permanece sob forte controle iraniano.

Apesar da sinalização de que operações militares ofensivas foram encerradas pelos Estados Unidos, o ambiente segue instável.

Há relatos de ataques pontuais a embarcações e centenas de navios ainda retidos na região, evidenciando que a normalização do fluxo comercial está longe de garantida.

Internamente, o governo norte-americano também enfrenta pressões políticas para encerrar o conflito, o que pode influenciar decisões estratégicas nos próximos meses.

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