Putin na China: tudo sobre o encontro do presidente da Rússia com Xi Jinping
Os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, se encontraram nesta quarta-feira, 20, e conversaram sobre uma coordenação estratégica entre os dois países.
O encontro em Pequim foi marcado por negociações no setor de energia, defesa de uma nova ordem internacional e sinais políticos enviados em meio à crescente disputa com os Estados Unidos.
A visita de Putin, segundo a Reuters, teve como eixo central a tentativa de avanço em um acordo de fornecimento de gás de longo prazo e a consolidação de uma agenda conjunta de cooperação econômica.
Segundo o Kremlin, as partes mantêm entendimento sobre pontos-chave do projeto do gasoduto Power of Siberia 2, embora ainda não haja definição sobre preço e cronograma.
A reunião ocorre em um momento de reconfiguração das relações globais, com China e Rússia buscando reforçar sua posição como contrapeso à influência ocidental, enquanto o comércio energético se torna peça central da estratégia de Moscou após as sanções impostas pela guerra na Ucrânia.
Energia no centro: avanço parcial no gasoduto Power of Siberia 2
O principal tema econômico do encontro foi o Power of Siberia 2, projeto de gasoduto que pode ampliar de forma significativa o fluxo de gás russo para o mercado chinês.
De acordo com o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, há um entendimento geral entre os dois países sobre o projeto, mas ainda sem detalhes fechados. “Não há prazos claros e as condições precisam ser finalizadas”, afirmou.
O projeto, discutido há mais de uma década, ganhou relevância para a Rússia após o corte das exportações para a Europa no pós-guerra na Ucrânia, tornando a China o principal destino estratégico da energia russa.
A estatal Gazprom já conduz estudos de viabilidade e havia firmado um memorando de suprimento de 30 anos em 2025, mas a negociação segue travada principalmente em preço e condições comerciais.
Xi e Putin reforçam discurso contra 'hegemonia global'
Durante a cerimônia, Xi Jinping defendeu uma ampliação da cooperação bilateral e criticou o que chamou de práticas unilaterais na política internacional. O líder chinês afirmou que os dois países devem se opor a “todas as formas de intimidação unilateral”, em referência indireta à influência dos Estados Unidos.
Em declaração conjunta, China e Rússia alertaram para o risco de fragmentação da ordem global e defenderam um sistema internacional mais multipolar. Os dois governos afirmaram que tentativas de dominação no estilo colonial “falharam”, mas que o cenário global ainda enfrenta riscos de instabilidade.
O documento reforça uma linha diplomática já consolidada entre Pequim e Moscou, que buscam ampliar sua coordenação em fóruns multilaterais e reduzir a dependência de instituições dominadas pelo Ocidente.
Relação comercial e energia como eixo da parceria bilateral
Putin afirmou que a relação entre os dois países atingiu um patamar “sem precedentes” e destacou que a Rússia continua sendo fornecedora confiável de energia para a China.
Segundo o líder russo, quase todas as transações comerciais bilaterais já são realizadas em moedas locais, como rublo e yuan, reduzindo a dependência do dólar em parte das trocas.
Putin também mencionou potencial de cooperação em áreas como energia renovável e tecnologia, além de reforçar o compromisso de continuidade da parceria econômica de longo prazo.
Bastidores diplomáticos e disputa de narrativa com os EUA
O encontro em Pequim ocorreu poucos dias após a visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao país, o que adiciona uma camada de disputa simbólica sobre influência diplomática na capital chinesa.
Segundo autoridades russas, o Kremlin evita comparar formalmente as visitas, mas reconhece que o foco deve estar no conteúdo das negociações. A leitura em Moscou é de que a agenda com Pequim tem peso estratégico mais profundo do que o protocolo das cerimônias.
A sequência de encontros reforça a tentativa da China de se posicionar como centro de articulação diplomática global, ao mesmo tempo em que equilibra relações comerciais com Estados Unidos, Europa e Rússia.
Agenda inclui guerra na Ucrânia, Oriente Médio e APEC
Apesar da centralidade do tema energético, o encontro também incluiu discussões sobre a guerra na Ucrânia e tensões no Oriente Médio, ainda que sem anúncios concretos sobre mudanças de posição.
Putin indicou ainda disposição para participar da cúpula da APEC em novembro, na China, em um movimento que reforça a continuidade do diálogo bilateral em fóruns multilaterais.
China amplia compras de aeronaves da Boeing após aproximação com Washington
Pequim confirmou a compra de 200 aeronaves da Boeing, acordo associado à recente aproximação comercial com os Estados Unidos após encontro entre Xi Jinping e Donald Trump.
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