Santo André inaugura primeira UBS 100% sustentável do Brasil
O município de Santo André, na região do ABC Paulista, acaba de inaugurar a primeira Unidade Básica de Saúde totalmente sustentável do país. A ideia faz parte de um plano da gestão para reposicionar equipamentos públicos a partir da agenda climática e da eficiência urbana.
A unidade escolhida para sediar o projeto tem cerca de 50 anos de história e leva o nome de um ambientalista. Trata-se da unidade policlínica Vila Helena — Doutor Wadi Nasser, localizada no bairro de Vila Helena.
Não se trata, portanto, de uma construção nova: a transformação foi aplicada sobre uma estrutura já estruturada na rede municipal, prova das possibilidades de replicação do modelo em equipamentos existentes.
Sustentabilidade na saúde
A reformulação combina três frentes principais: geração de energia limpa, uso consciente da água e modernização digital dos processos internos. O projeto tem caráter piloto e servirá de referência para futuras intervenções na rede pública de Santo André, com base no monitoramento contínuo de indicadores de desempenho e viabilidade financeira.
À EXAME, o prefeito Gilvan Ferreira afirmou que a gestão busca mostrar que "é possível oferecer saúde de qualidade com responsabilidade ambiental e eficiência no uso do dinheiro público. É um modelo que pode ser replicado por outras cidades", declarou o prefeito Gilvan Ferreira.
No campo energético, a unidade recebeu painéis fotovoltaicos com capacidade de produção de aproximadamente 900 kWh mensais — volume suficiente para praticamente zerar a conta de luz do estabelecimento. A economia projetada supera R$ 10 mil ao ano, com redução direta nas emissões de carbono e contribuição para as metas ambientais do município.
Gestão hídrica
A gestão da água também ganhou atenção no projeto. A UBS passou a contar com um sistema de captação de água da chuva, aproveitada na limpeza de áreas externas e na irrigação de canteiros. O piso drenante instalado no entorno da unidade evita o acúmulo de água e favorece a absorção pelo solo, aliviando a pressão sobre as galerias pluviais em dias de chuva intensa — medida que contribui diretamente para o manejo urbano de enchentes.
Na parte digital, a unidade já opera com 70% dos atendimentos sem papel, abrangendo fluxos médicos e de enfermagem com uso de assinatura eletrônica. A meta da gestão é alcançar a digitalização total dos processos, com exceção dos procedimentos que ainda exigem documentação física por obrigação regulatória.
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