Saudi Aramco alerta para risco global no petróleo

Por Ana Luiza Serrão 10 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Saudi Aramco alerta para risco global no petróleo

O conflito no Oriente Médio elevou o nível de alerta no mercado global de energia. Para Amin Nasser, CEO da Saudi Aramco, a escalada militar na região pode provocar impactos significativos no sistema energético mundial.

Durante teleconferência de resultados, Nasser afirmou que a crise representa o momento mais delicado já enfrentado pela indústria de petróleo e gás no Golfo Pérsico. Segundo ele, a instabilidade tem potencial para desencadear um choque amplo na oferta de energia e pressionar a economia global.

Estreito de Ormuz preocupa

A principal preocupação da companhia está na segurança das rotas marítimas que escoam o petróleo do Oriente Médio. O Estreito de Ormuz, corredor estratégico que liga o Golfo ao oceano Índico, responde por cerca de um quinto do fluxo mundial de petróleo.

Qualquer interrupção prolongada nessa passagem pode provocar um aperto imediato na oferta global, especialmente em um momento em que os estoques internacionais já estão em níveis historicamente baixos, segundo a CNBC.

Nasser afirmou que, quanto mais tempo durar a instabilidade, maior tende a ser o impacto para a economia. Atualmente, Ormuz está fechado pelo Irã. O país impede navios-petroleiros de passarem pelo local, aumentando o risco de uma crise no petróleo.

Efeito dominó na economia

A crise não afeta apenas o transporte de petróleo, porque essa instabilidade logística pode gerar reflexos em diversos setores da economia, desde aviação e transporte marítimo até cadeias industriais e agrícolas dependentes de energia, segundo fontes consultadas pela CNBC.

Esse risco sistêmico já começou a aparecer nos preços da commodity. Nos últimos dias, o barril de petróleo chegou a se aproximar de US$ 120, impulsionado por temores de escassez e interrupções no fluxo de exportação.

Porém, nesta terça-feira, 10, o preço caiu mais de 6%, com otimismo em torno do discurso do presidente dos EUA Donald Trump, que pontuou que o conflito pode acabar em breve.

Infraestrutura sob pressão

A própria Aramco já sentiu efeitos diretos da escalada militar. A refinaria de Ras Tanura — uma das principais instalações da companhia — foi atingida recentemente durante ataques com drones e mísseis na região.

Apesar do incidente, a empresa afirma que continua priorizando a estabilidade operacional e mantém sua capacidade de abastecimento aos clientes.

Lucro apesar da turbulência

Em meio ao cenário de tensão geopolítica, a Aramco apresentou resultados financeiros robustos. A companhia registrou lucro líquido ajustado de US$ 104,7 bilhões em 2025, acima das estimativas do mercado.

No quarto trimestre, o lucro ajustado ficou em US$ 25,1 bilhões, também levemente acima do consenso de analistas.

A empresa segue entre as maiores pagadoras de dividendos do mundo e anunciou distribuição de US$ 21,89 bilhões referente ao último trimestre, um aumento de 3,5% na comparação anual.

Mesmo assim, Nasser ressaltou que o futuro do setor de energia dependerá diretamente da evolução da crise geopolítica no Oriente Médio.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: