Sem fundadores no conselho: o que muda na Natura com a entrada da Advent

Por Ana Luiza Serrão 1 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Sem fundadores no conselho: o que muda na Natura com a entrada da Advent

A Natura anunciou na noite de segunda-feira, 30, uma grande mudança na forma como a multinacional brasileira do setor de beleza é comandada, além da entrada de um novo investidor. A decisão marca o fim de um período de reorganização interna e o início de uma nova fase focada em crescimento, principalmente na América Latina.

A principal novidade é a chegada da Advent International, que pretende comprar entre 8% e 10% das ações da companhia no mercado. A gestora deve ganhar espaço nas decisões estratégicas da empresa.

Os fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos vão deixar o conselho de administração e passarão a atuar em um novo conselho consultivo, que não tem poder de decisão.

A ideia é que esse grupo ajude a preservar a cultura e a identidade da Natura, mas sem participar diretamente da gestão. O chairman Fábio Barbosa também fará essa transição.

Já o conselho de administração será totalmente renovado para um mandato de dois anos, e o ex-CEO Alessandro Carlucci foi indicado para presidi-lo.

Como será a entrada da Advent

A Advent International pretende comprar pelo menos 8% da empresa, o equivalente a cerca de 110 milhões de ações. O preço médio alvo dessas compras é de R$ 9,75 por ação, e as aquisições devem ocorrer em até seis meses.

Se atingir essa participação, a gestora poderá indicar também dois membros para o conselho de administração.

Além disso, seria possível para ela participar de alguns comitês de assessoramento do colegiado, "contribuindo com sua expertise para a estratégia do negócio", de acordo com detalhes do Fato Relevante.

Os controladores da Natura também assinaram um novo acordo de acionistas, com duração de dez anos, que pode ser prorrogável por mais dez.

Esse contrato substitui o atual, que vence em 2026, e mantém a participação dos fundadores inalterada.

Caso a Advent entre de fato no capital, o conselho poderá ser ampliado para até dez membros, com pelo menos quatro independentes.

O que falta acontecer

A operação ainda depende de algumas condições. O atual conselho de administração permanecerá até a realização da Assembleia Geral em 2026.

Um ponto importante é que a empresa precisa liberar a Advent de fazer uma oferta pública (OPA), que normalmente seria exigida ao atingir uma fatia relevante.

Além disso, o acordo pode ser cancelado se o preço das ações subir demais acima do valor previsto ou se houver mudanças negativas relevantes na empresa.

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