Senna Tower capixaba? Prédio de 50 andares aposta na valorização de Vitória
Vitória terminou 2025 como a capital com o metro quadrado mais caro do Brasil. O preço médio ficou 46% acima da média nacional, segundo o índice FipeZap. O movimento começa a transbordar para cidades vizinhas, que formam a região metropolitana da cidade.
É nesse contexto que surge o Taj Home Resort, empreendimento em Vila Velha, que terá 50 andares, sendo o mais alto do estado. Com VGV de R$ 1,5 bilhão, o projeto é o maior empreendimento vertical da história do Espírito Santo. Lançado em 2021 pela Grand Construtora, o projeto já está com 75% das obras concluídas e cerca de 60% das unidades vendidas. A previsão é que a entrega ocorra no segundo semestre de 2026.
"Vale dizer que 60% de R$ 1,5 bilhão de VGV é maior do que qualquer outro empreendimento que já foi entregue no Espírito Santo", afirma à EXAME o CFO da Grand, Eduardo Borges. "Se o Taj tivesse sido lançado com metade do valor geral de vendas, ele já estaria provavelmente 100% vendido", argumenta.
O empreendimento, que conta com duas torres de 50 e 25 andares e apartamentos de até 300 metros quadrados, é voltada ao luxo. O Taj prevê uma estrutura de serviços internos voltada exclusivamente aos moradores. Entre os itens planejados estão restaurante, padaria, pet shop e áreas comerciais dentro do condomínio. A proposta é transformar o edifício em um “resort vertical”, com serviços integrados e alto nível de privacidade.
Segundo o CFO da companhia, há semelhanças claras com o modelo de Balneário Camboriú, inclusive no perfil dos compradores. Cerca de metade das vendas vem de fora do estado, com destaque para investidores do agronegócio e brasileiros que vivem no exterior.
"Esse público busca imóveis de alto padrão para uso eventual, turismo ou aposentadoria, um comportamento que ajudou a impulsionar o litoral catarinense na última década", explica
Por esse motivo, há uma estratégia deliberada de não depender apenas da demanda local. A empresa aposta na atração de compradores de maior renda, de regiões como Centro-Oeste e Minas Gerais. Por isso a empresa adotou uma estratégia de marketing focada em pontos de grande circulação de viajantes, especialmente no aeroporto.
"Por mais de um ano tivemos todos os fingers do aeroporto [estruturas que conectam o terminal do aeroporto à porta da aeronave] de Vitória contratados para publicidade"
A valorização acelerada da capital ajuda a explicar o luxo que começa a surgir na região metropolitana. Em 2025, os preços subiram 15,1%, mais que o dobro da média nacional.
Bairros como Enseada do Suá e Praia do Canto já operam em patamares acima de R$ 16 mil por metro quadrado, níveis próximos aos de grandes centros como São Paulo e Rio. A alta dos preços, combinada à renda elevada e ao crescimento econômico local, abriu espaço para empreendimentos de alto padrão na região.
Em Vila Velha, bairros como Jockey de Itaparica passaram a atrair projetos mais ambiciosos, impulsionados por regras urbanísticas que permitem maior verticalização.
Risco alto, financiamento alternativo
O tamanho do projeto trouxe desafios desde o início. Segundo Borges, o empreendimento enfrentou resistência de bancos tradicionais, que evitaram financiar a obra pelo modelo padrão do setor.
A solução veio por meio de uma cooperativa de crédito, que estruturou o financiamento via Cédula de Crédito Bancário (CCB). O crédito foi ampliado para R$ 250 milhões conforme o avanço da obra. Hoje, cerca de R$ 180 milhões já foram utilizados.
A história da Grand ajuda a explicar o apetite por projetos desse porte. A empresa foi fundada há cerca de 13 anos por Rodrigo Barbosa Gomes, que começou a carreira nos anos 1990 como dono de uma serralheria.
Após atuar em uma incorporadora com foco em produtos mais tradicionais, decidiu criar uma marca voltada ao alto padrão.
O Taj marca uma virada estratégica da empresa, que passou a apostar em empreendimentos de grande escala e alto luxo.
Nos últimos anos, a Grand lançou projetos em Vitória, interior do estado e litoral, buscando consolidar presença em diferentes regiões.
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