Shoppings batem R$ 200 bilhões em vendas com mais gasto por visita
Os shoppings venderam mais, mesmo sem recuperar os patamares de fluxo pré-pandemia. Em 2025, o setor faturou R$ 200,9 bilhões, alta de 1,2% em relação ao ano anterior. No mesmo período, o fluxo de visitantes caiu 1%. A conta só fechou porque o consumidor passou mais tempo dentro dos empreendimentos e gastou mais por visita. O tempo médio de permanência bateu recorde, com 80 minutos por pessoa, segundo projeção da Abrasce.
Hoje, o país soma 658 shoppings em operação, espalhados por 253 cidades. Ao todo são 18,3 milhões de metros quadrados de área bruta locável, com taxa de ocupação média de 95,4%. A inadimplência é de 4,3%.
O comportamento do consumidor vem mudando, e a própria lógica de operação dos shoppings acompanha esse movimento. Em 2019, a média era de 502 milhões de visitas por mês. Hoje, são 471 milhões. Mas o tempo de permanência cresceu, o ticket médio subiu e o papel do shopping como ponto de encontro e centro de conveniência passou a ganhar mais peso na equação.
“O shopping virou o terceiro lugar. Não é casa, não é trabalho. É onde a pessoa resolve a vida”, disse Glauco Humai, presidente da Abrasce.
Com a alta do comércio eletrônico, a ida ao shopping deixou de ser um simples deslocamento por necessidade de compra. A visita passou a ser motivada por outros fatores: alimentação, lazer, serviços e até rotina.
O setor viu crescer a presença de academias, clínicas estéticas, casas de show, arenas gamer e centros de convenções. O consumidor pode ir ao dentista, trocar moeda, fazer compras e almoçar, tudo em um mesmo espaço e com ar-condicionado.
Em 2025, dez novos shoppings foram inaugurados. A maioria está longe das capitais e foi construída por grupos locais ou investidores individuais. Os grandes players, como Iguatemi, Multiplan e Allos, têm optado por ampliar operações já maduras ou adquirir empreendimentos existentes. Construir do zero custa caro, leva tempo e exige capital em larga escala, muitas vezes captado a juros elevados.
A composição das vendas também se transformou. Vestuário e calçados ainda lideram o mix, mas perdem espaço relativo para outros segmentos. Polos gastronômicos fora da praça de alimentação tradicional avançam. Os centros de compras que antes eram definidos pela ancoragem de grandes lojas agora se apoiam também em experiências e conveniência.
Projeções para 2026
Apesar dos números sólidos, 2026 começa com atenção a dois fatores de risco: o cenário eleitoral e as tensões internacionais. A Copa do Mundo, marcada para acontecer à noite, pode aumentar o fluxo de visitantes nos shoppings, sobretudo em bares e restaurantes. A reforma do Imposto de Renda, ao ampliar a renda disponível para parte da população, também deve estimular o consumo. Mas a instabilidade global, combinada com o ciclo eleitoral brasileiro, pode mexer com a confiança do consumidor e dos investidores.
“Se não fosse um ano de eleição, cresceríamos ainda mais. Mas o otimismo segue com cautela”, afirmou o presidente da Abrasce.
Na frente digital, o setor ainda enfrenta assimetrias. Enquanto os grandes centros têm operações plugadas a marketplaces e canais de venda online, quase metade dos shoppings do país, especialmente no interior, ainda não está conectada a plataformas digitais. Para parte dos consumidores, o shopping continua sendo um lugar para passear, mas não necessariamente para comprar.
A expectativa para o próximo ano é da abertura de 11 shoppings. O presidente da Abrasce afirma que há espaço para inaugurações. "O Brasil tem apenas 8,6 metros quadrados de ABL para cada 100 habitantes, contra mais de 900 metros nos Estados Unidos", diz.
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