Startup que só ganha quando o cliente vende atinge breakeven e mira R$ 2 bi em transações
O mercado de produtos digitais cresceu rápido no Brasil, impulsionado por cursos online, mentorias e comunidades pagas. Mas, por trás do boom, ainda falta infraestrutura para transformar criadores em empresas.
Foi nesse espaço que surgiu a Hubla, startup fundada em 2020 por Arthur Alvarenga, Bernardo Reis e Rafael Capelã. A empresa desenvolve uma plataforma que reúne pagamentos, área de membros, dados e automação para quem vende conhecimento online — e só ganha quando o cliente vende.
Agora, a companhia chega a um novo marco. Após crescer 10 vezes nos últimos dois anos, a Hubla atingiu o breakeven no fim de 2025 e projeta processar 2 bilhões de reais em vendas na plataforma.
“Só fazemos dinheiro quando o criador processa uma venda”, diz o CEO Arthur Alvarenga.
A empresa cobra 8,9% por transação, mais 2,49 reais por venda, e inclui no pacote toda a infraestrutura da operação.
O próximo passo passa por tecnologia. A startup aposta em inteligência artificial para resolver um problema que, na prática, limita o crescimento de boa parte desse mercado: a dependência do próprio tempo do criador para vender e entregar seus produtos.
Como a startup foi criada
A origem da Hubla não veio de uma tese de mercado, mas de uma dor concreta. Antes da startup, os fundadores operavam comunidades de vizinhança no WhatsApp. Foi nesse ambiente que identificaram um grupo crescente de criadores monetizando conteúdos, mas de forma manual.
Um dos primeiros casos foi o de uma criadora fitness que gerenciava comunidades pagas no aplicativo. O processo era artesanal: controle de pagamentos, inclusão de membros e organização dos grupos consumiam horas diárias.
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A solução foi criar um sistema que automatizava pagamentos e integrava o acesso aos grupos.
“Ela economizou quase seis horas por dia de trabalho”, afirma Alvarenga.
O que parecia um caso isolado revelou um padrão. Havia um mercado inteiro operando sem infraestrutura.
Como o produto foi transformado
Nos primeiros meses, a Hubla operava focada em comunidades no WhatsApp. O salto veio após a entrada de investidores e a evolução do produto.
A empresa passou a oferecer uma plataforma mais completa, com checkout próprio, área de membros, parcelamento inteligente e dashboards integrados. A ideia era centralizar em um único lugar o que antes era feito com múltiplas ferramentas.
“Quando expandimos a oferta para mais tipos de produtos e melhoramos pagamentos e área de membros, aumentamos muito o mercado disponível”, diz o CEO.
Hoje, a plataforma reúne mais de 2,8 milhões de contas cadastradas e milhares de criadores ativos. A base é pulverizada: nenhum nicho representa mais de 15% do total. Entre os principais estão educação profissional, fitness e consultorias.
O posicionamento da Hubla foge do discurso mais comum do setor, voltado para quem está começando.
A empresa mira criadores que já têm um negócio rodando e que enfrentam problema para escalar de forma eficiência.
“Não é o criador que está buscando fazer a primeira venda. É quem já tem produto e precisa de margem, recorrência e dados para crescer”, diz Alvarenga.
Essa escolha muda a lógica do produto. Em vez de prometer facilidade para começar, a plataforma tenta resolver a complexidade de quem já tem equipe, múltiplos produtos e operação mais sofisticada.
O equilíbrio financeiro veio sem mudanças bruscas no modelo de negócio. Segundo a empresa, o avanço foi consequência direta do crescimento da base e, principalmente, do aumento de vendas dentro da plataforma.
“Quanto mais bem-sucedidos os criadores são aqui dentro, mais a Hubla cresce”, afirma o CEO.
A expansão do produto também teve papel central. Ao concentrar mais funcionalidades em um único sistema, a empresa aumentou a dependência do cliente e, ao mesmo tempo, ampliou o volume processado.
Hoje, a companhia afirma não depender de uma nova rodada de investimento para sustentar o crescimento, uma mudança relevante em um cenário de capital mais seletivo.
Como a IA pode resolver o gargalo da escala
Se o crescimento trouxe escala, o próximo desafio é ampliá-la sem aumentar custos na mesma proporção. É aqui que entra a inteligência artificial.
A Hubla lançou dois produtos principais: um agente de vendas via WhatsApp, que responde clientes e recupera carrinhos abandonados, e um agente dentro da área de membros, que atua como suporte automatizado.
Os primeiros resultados indicam impacto direto na receita dos clientes.
“O agente já converte, em média, 17% dos carrinhos abandonados”, afirma Alvarenga.
Na área de membros, alguns criadores registraram aumento de até cinco vezes no engajamento com o conteúdo.
A aposta vai além de automação pontual. A ideia é transformar a operação inteira do criador.
“A gente quer que o criador abra a plataforma e já saiba o que precisa fazer e que várias coisas já estejam sendo feitas automaticamente”, diz.
Quais são os próximos passos
Com o breakeven alcançado, a empresa passa a operar com mais autonomia.
Uma nova rodada de investimento não está descartada, mas também não é prioridade. O foco está em produto, especialmente na expansão das soluções baseadas em IA.
A ambição é se consolidar como a infraestrutura por trás de quem vende conhecimento online.
“A gente quer fazer para esse mercado o que plataformas de e-commerce fizeram para quem vende produtos físicos”, afirma Alvarenga.
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