Tap to Pay e carteira digital no relógio: como pagar e receber por aproximação sem carteira física
O pagamento por aproximação já responde por 71,1% das compras presenciais com cartão no Brasil, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (ABECS).
A tecnologia por trás desse número é o NFC (Near Field Communication), que permite a troca de dados entre dois dispositivos a poucos centímetros de distância.
E o NFC permite a execução dois recursos que, juntos, tornam possível sair de casa sem dinheiro físico e maquininha: a carteira digital, que transforma o celular ou smartwatch no cartão do cliente, e o Tap to Pay, que transforma o celular do vendedor na própria maquininha.
Como funciona a carteira digital?
A carteira digital armazena versões criptografadas (tokens) dos cartões de crédito e débito do usuário.
Quando o comprador aproxima o celular ou o pulso da maquininha, o chip NFC do relógio transmite o token ao terminal, que processa a transação. O número real do cartão não é compartilhado com o estabelecimento.
No Apple Watch, o recurso funciona pelo Apple Pay. O usuário cadastra os cartões pelo app Watch no iPhone, dentro de "Carteira e Apple Pay". Na hora de pagar, basta pressionar duas vezes o botão lateral do relógio e aproximar o visor da maquininha até sentir uma leve vibração. O Apple Pay está disponível no Brasil desde 2018 e opera com os principais bancos do país, como Itaú, Bradesco, Nubank e Caixa.
No Galaxy Watch, a Samsung oferece o Samsung Wallet. O processo é semelhante: o usuário cadastra o cartão pelo app Galaxy Wearable no celular, define um PIN de segurança e, para pagar, pressiona o botão lateral do relógio e aproxima o pulso do leitor NFC. O Samsung Wallet também aceita cartões dos principais emissores brasileiros.
Como funciona o Tap to Pay no celular?
O Tap to Pay é o lado do vendedor em que, em vez de comprar ou alugar uma maquininha, o comerciante usa o próprio celular para receber pagamentos de cartões e carteiras digitais por aproximação.
No iPhone, a Apple lançou o Tap to Pay no Brasil em setembro de 2023.
A CloudWalk, dona da InfinitePay, foi a primeira empresa a oferecer o recurso no país. Desde então, adquirentes como Cielo, Stone (Ton), SumUp, Nubank e Granito também passaram a disponibilizar o recurso em seus apps. O passo a passo é o seguinte:
O recurso exige um iPhone XS ou posterior com a versão mais recente do iO, e transações acima de R$ 200 pedem a digitação de senha pelo cliente na tela do aparelho.
Em celulares Android, a funcionalidade equivalente usa o NFC nativo do aparelho. Apps como InfinitePay (InfiniteTap), Cielo Gestão e Mercado Pago oferecem a função de receber pagamentos por aproximação em smartphones com Android 11 ou superior e chip NFC. O processo de venda é o mesmo.
Qual a diferença entre Tap to Pay e Pix por aproximação?
O Pix por aproximação, lançado em fevereiro de 2025, usa a mesma tecnologia NFC, mas funciona pela infraestrutura do Banco Central em vez das bandeiras de cartão. O comprador vincula a conta bancária ao Google Wallet pelo Open Finance e, na hora de pagar, aproxima o celular Android da maquininha e confirma com biometria ou senha do aparelho. O lojista recebe o valor na hora, sem prazo de repasse.
Quanto custa usar o Tap to Pay?
O Tap to Pay não cobra taxa de adesão nem mensalidade — o custo se resume à taxa por transação, que varia conforme a adquirente e o faturamento mensal do vendedor. As taxas da InfinitePay, por exemplo, partem de 0,75% no débito e 2,69% no crédito à vista, com redução progressiva para volumes maiores. Na Cielo, as taxas começam em 1,07% no débito e 3,48% no crédito.
O parcelamento no cartão de crédito também está disponível (até 12 vezes na maioria dos adquirentes), o que pode aumentar o ticket médio das vendas em comparação com pagamentos feitos apenas por Pix ou dinheiro. O prazo de recebimento depende do plano: a InfinitePay oferece liquidação em até 6 segundos (com taxa mais alta) ou em 1 dia útil.
Limitações do pagamento por aproximação no celular e relógio
O Tap to Pay e a carteira digital no relógio cobrem a maioria das situações cotidianas, mas apresentam restrições que o usuário deve considerar antes de abandonar a carteira física.
Por exemplo, o celular não pode descarregar e nem perder conexão com a internet. Além disso, se o cliente usar cartões sem NFC, dos mais antigos, o Tap to Pay não vai aceitar o pagamento.
Além disso, embora elimine o custo de hardware, o Tap to Pay cobra taxas por transação similares às de maquininhas tradicionais. A economia real está na ausência de aluguel e manutenção do equipamento.
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