Tenda adota 'produção automotiva' para driblar escassez de mão de obra
A discussão sobre escassez de mão de obra na construção civil — e até sobre mudanças na jornada de trabalho, como o possível fim da escala 6x1 — tem colocado pressão sobre um setor historicamente dependente de trabalho intensivo. Para a Tenda, uma das maiores incorporadoras do país no segmento de habitação popular, a resposta veio da indústria automotiva.
A companhia estruturou seu modelo produtivo inspirado no sistema da Toyota a partir de 2011, trazendo para a construção civil conceitos de sequenciamento, padronização e modularidade típicos da montagem de veículos. Na prática, a lógica é transformar a obra, tradicionalmente artesanal, em um processo industrial de montagem.
“O que fizemos foi separar o processo construtivo em macroetapas. Cada uma dessas etapas trabalha com times dedicados. Então, por exemplo, temos um time que faz apenas a estrutura do prédio com formas de alumínio. Depois, temos outro que instala a cerâmica, outro que cuida da parte hidráulica", explica Luiz Mauricio de Garcia Paula, CFO da Tenda.
Esse sequenciamento, semelhante a uma linha de montagem, permite que cada equipe repita a mesma tarefa diversas vezes ao longo das obras, aumentando a produtividade e reduzindo erros.
Outro elemento central do modelo são os kits pré-fabricados, que funcionam como sistemas plug and play. Instalações elétricas e hidráulicas chegam prontas ao canteiro de obras, cortadas e organizadas no tamanho exato para cada unidade. Em um canteiro tradicional, tubulações precisam ser cortadas e coladas manualmente pelos trabalhadores. No modelo da Tenda, o operário apenas instala as peças já preparadas.
Escudo para a escassez
Essa padronização reduz o tempo de execução da obra, diminuindo também a dependência de profissionais altamente especializados. “O nosso modelo construtivo sofre menos nesse cenário de escassez de mão de obra que estamos vendo no país. Isso faz com que o peso da mão de obra no nosso custo de construção seja de 5 a 10 pontos percentuais abaixo da média do setor.”
O impacto aparece diretamente nos custos. Segundo a empresa, o peso da mão de obra no custo de construção da Tenda fica entre 5 e 10 pontos percentuais abaixo da média do setor. Essa eficiência ajuda a preservar margens mesmo em projetos voltados para famílias de menor renda, onde os preços de venda são mais restritos.
A experiência também mostrou o custo de fugir desse padrão. Quando a Alea — empresa de casas industrializadas do grupo — utilizou empreiteiros externos sem experiência no modelo produtivo da companhia, a produtividade caiu significativamente. O resultado foram custos de construção até 30% maiores do que o previsto.
Além da padronização nos canteiros, o grupo também aposta em industrialização mais avançada. Na Alea, por exemplo, as casas são produzidas em fábrica, o que reduz a necessidade de mão de obra pesada nas obras e concentra o trabalho em um ambiente mais controlado.
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