Tendências da relojoaria: o que eu vi no salão Watches & Wonders
GENEBRA. A indústria do relógio trabalha em uma encruzilhada. Como em qualquer mercado, as marcas dependem de novidades para encantar seus clientes e criar awareness. Mas relógios são peças complexas, que levam pelo menos três anos para sair da prancheta.
Natural, portanto, que as manufaturas invistam ora em lançar novas linhas, um processo mais longo de planejamento, ora em apresentar novos materiais em variações de peças que já estão no mercado.
Este foi um ano de inovação em materiais e complicações no Watches & Wonders, de Genebra, o maior salão de relógios do mundo, realizado entre os dias 14 e 20 de abril, mas nem tanto na forma. Acompanhe as principais impressões da cobertura da EXAME Casual.
Inspiração espacial
Enquanto os noticiários exploravam as aventuras do voo tripulado Artemis II ao redor da Lua, as manufaturas seguiam o espírito do tempo ao lançar relógios com inspiração no espaço. A IWC apresentou o Pilot Venturer Vertical Drive, “o primeiro relógio criado especificamente desde o início para missões espaciais”, nas palavras do CEO Christoph Grainger-Herr, além do Pilot’s Perpetual Calendar Proset da linha Le Peti Prince.
A Roger Dubuis lançou o Excalibur Biretrograde Perpetual Calendar enquanto a Breitling, que não participa oficialmente do salão mas realizou um evento paralelo em Genebra, teve como destaque o relógio Navitimer B02 Chronograph 41 Cosmonaute Artemis II, com mostrador de meteorito.
A consagração dos clássicos
A TAG Heuer focou este ano no Monaco, o relógio de inspiração automotiva consagrado por Steve McQueen. Ponto. A Cartier como sempre teve como ponto forte a linha Priveé, de releituras de clássicos, e a volta do Roadster. A Panerai trouxe seu modelo de identidade mais forte, o Luminor, com a proteção de coroa. E a Rolex, como esperado, festejou os 100 anos da caixa Oyster.
De certa forma foi também uma retomada de modelos de entrada. Os últimos anos vêm registrando a exportação de menos relógios suíços, mas de maior valor agregado, com metais preciosos e complicações.
Isso favoreceu o surgimento de marcas independentes, que ocuparam esse espaço, com peças mais acessíveis. Vale dizer, acessíveis quando falamos de relógios mecânicos suíços de marcas de luxo. O Oyster lançado este ano de maior repercussão este ano, o Jubille, com mostrador colorido, custará R$ 56.800 na versão 36mm, mesmo preço do OP de linha.
A era do ouro
Pode ser por inspiração dos anos 1980, mas justamente quando o ouro atinge seu maior preço em décadas, as marcas apresentam novas versões no metal precioso. Relógios de ouro não são novidade entre os chamados dress watches, de uso mais social. Mas até os esportivos têm vindo nos últimos anos em tom dourado.
De Rolex a Cartier, de Grand Seiko a Zenith, de Piaget com o Polo 79 a marcas independentes como Nomos Glashutte, o ouro brilhou nas vitrines do centro de convenções Palexpo. Até a Tudor, irmã mais nova e acessível da Rolex, veio com um bonito Black Bay 58 de mostrador verde com caixa e pulseira de ouro.
Relógios esqueletizados
Os relógios estão nus. Todo ano aparecem relógios esqueletizados, ou seja, sem parte do mostrador e das pontes do maquinário, de forma que se possa ver o movimento trabalhando. Mas nesta temporada a tendência foi especialmente forte.
Um destaque sem dúvida foi o Super Freak do Ulysse Nardin, mais uma vez sem a coroa, com a corda acionada através do fundo da caixa. Cartier Crash, Hermès H08, Zenith Chronomaster, o incrível Luminor 32 Giorni, com reserva de marcha de 31 dias... exemplos não faltaram nos corredores do Palexpo. Veremos o que virá no Watches & Wonders do ano que vem.
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