Trump diz que vai suspender operação militar em Ormuz após progresso no acordo com o Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na terça-feira, 5, a suspensão do "Projeto Liberdade", a iniciativa militar da Casa Branca para guiar navios comerciais para fora do Estreito de Ormuz, um dia após o início da operação.
Em uma publicação no Truth Social, Trump afirmou que a decisão se baseou, em parte, no "grande progresso alcançado rumo a um acordo completo e definitivo" com o Irã.
O Projeto Liberdade será suspenso no curto prazo para verificar se o acordo com Teerã pode ser finalizado e assinado, explicou Trump no comunicado.
"Com base no pedido do Paquistão e de outros países, no enorme sucesso militar que obtivemos durante a campanha contra o Irã e, além disso, no fato de que grandes progressos foram feitos rumo a um acordo completo e definitivo com os representantes do Irã, concordamos mutuamente que, embora o bloqueio permaneça em pleno vigor, o Projeto Liberdade (a circulação de navios pelo Estreito de Ormuz) será suspenso por um curto período para verificar se o acordo pode ser finalizado e assinado", escreveu o presidente americano.
Os contratos futuros de ações subiram após o anúncio de Trump, que aumentou as esperanças de um acordo de paz que encerraria a guerra entre EUA e Israel no Irã e reabriria o estreito, de importância econômica vital, informou a CNBC.
Fracasso do Projeto Liberdade
O presidente americano havia apresentado o Projeto Liberdade como um gesto humanitário para facilitar o fluxo de energia e outros suprimentos pelo estreito, que está praticamente fechado desde o início da guerra, no final de fevereiro. No entanto, o esforço foi marcado por confusão e não conseguiu abordar as preocupações de segurança dos transportadores marítimos.
A operação provocou novos episódios de violência na segunda-feira, representando um dos maiores desafios para um cessar-fogo já incipiente entre os EUA e o Irã. Os militares americanos repeliram ataques de drones, mísseis e pequenas embarcações armadas iranianas enquanto facilitavam a passagem de dois navios com bandeira dos EUA pelo estreito. Os Emirados Árabes Unidos também afirmaram ter interceptado mísseis de cruzeiro iranianos.
A situação no estreito tem sido o ponto central dos esforços para reduzir a escalada do conflito. O Irã tem bloqueado o tráfego internacional, restringindo o fluxo de petróleo e gás e causando turbulência nos mercados de energia.
Os EUA, por sua vez, têm bloqueado os portos iranianos. Trump ordenou o bloqueio há mais de três semanas, numa tentativa de restringir as exportações de petróleo bruto do Irã e intensificar a pressão econômica sobre Teerã, buscando obter vantagem nas negociações sobre um possível acordo nuclear.
Os EUA afirmaram que o bloqueio em torno do Estreito de Ormuz deixou mais de 1.550 navios comerciais, transportando cerca de 22.000 marinheiros, presos no Golfo Pérsico.
Trump disse que o impasse está prejudicando a economia do Irã e forçando a República Islâmica a fazer concessões, mas a situação gerou incerteza nos mercados financeiros e de energia, com temores de que não haja fim à vista para o conflito que já dura nove semanas.
O presidente e altos funcionários do governo descreveram os desafios nas negociações, em parte devido às divisões internas no Irã.
Na terça-feira, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que, às vezes, após uma oferta ser feita, “leva cinco ou seis dias para obter uma resposta”, já que ela precisa percorrer todo o sistema e ser apresentada ao líder supremo.
“O sistema deles sempre foi complexo dessa forma. Obviamente, tornou-se mais complexo devido aos danos sofridos durante a guerra”, afirmou.
*Em atualização.
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