Um erro que virou startup: ele vai faturar R$ 12 milhões com CRM para influenciadores

Por Guilherme Gonçalves 22 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Um erro que virou startup: ele vai faturar R$ 12 milhões com CRM para influenciadores

Uma empresa que nasceu de um estoque encalhado de café. Essa é a Inbazz, quer transformou em negócio um problema que aparece do outro lado da tela: o trabalho operacional de gerenciar milhares de influenciadores ao mesmo tempo.

A startup criada pelos capixabas Matheus Barcelos e Matheus Marcellino faturou R$ 4,8 milhões em 2025 e projeta alcançar R$ 12 milhões neste ano. A aposta para quase triplicar a receita passa por inteligência artificial aplicada ao marketing de influência, área que já responde por parte relevante da operação da empresa.

Com 45 funcionários e escritórios em Vitória e São Paulo, a Inbazz atende marcas como Insider, Farm e Max Titanium. O negócio funciona como uma infraestrutura para empresas que usam criadores de conteúdo como canal de vendas, automatizando processos que vão da seleção do influenciador até pagamentos e acompanhamento de resultados.

O momento parece favorável. O Brasil reúne cerca de 4,4 milhões de influenciadores no Instagram, atrás apenas dos Estados Unidos, segundo levantamento da HypeAuditor. Ao mesmo tempo, o mercado passa por uma fase de maior profissionalização, com marcas buscando cada vez mais retorno mensurável e menos campanhas baseadas apenas em alcance.

Um problema com café que virou negócio

Antes da Inbazz existir, os dois Matheus trabalhavam no ecossistema de startups capixabas. Eles começaram como estagiários na Shipp, startup posteriormente vendida para a Americanas, e passaram por outras empresas do setor.

Depois dessa experiência, decidiram empreender criando um clube de assinatura de cafés especiais chamado Boden Club. Foi aí que surgiu o problema. Os empreendedores fizeram uma compra de café maior do que a demanda real. Como cafés especiais perdem propriedades ao longo do tempo, deixar o estoque parado significava perder dinheiro.

Sem orçamento para marketing, a saída foi enviar caixas de café gratuitamente para pequenos influenciadores próximos, muitos deles clientes ou conhecidos da região de Vitória. Funcionou melhor do que imaginavam.

"O canal começou a performar tão bem que a gente passou a perder finais de semana acompanhando postagens, calculando comissões e fazendo tudo na mão", diz Matheus Marcellino, fundador e CRO da empresa.

A dificuldade deixou evidente algo que eles não esperavam encontrar: o problema já não era vender café. Era administrar a operação. Em 2023, os fundadores venderam o negócio anterior e decidiram apostar integralmente na nova empresa — inicialmente chamada Busmates, depois rebatizada como Inbazz.

Quando a planilha deixa de funcionar

O marketing de influência deixou de ser apenas campanhas pontuais com celebridades digitais. Hoje, muitas empresas trabalham com bases de centenas ou milhares de criadores de conteúdo, principalmente micro e nanoinfluenciadores.

Em vez de apostar em poucas figuras com milhões de seguidores, marcas passaram a buscar criadores menores, com audiências mais engajadas e próximas do público.

"O consumidor amadureceu muito. Hoje, as pessoas conseguem identificar mais facilmente quando um conteúdo parece publicidade pura. Os micro e nanoinfluenciadores passaram a ter um papel muito forte porque existe uma percepção maior de autenticidade", afirma Marcellino.

Essa pulverização trouxe outro problema: complexidade operacional. Uma marca precisa aprovar criadores, enviar produtos, acompanhar publicações, validar se o conteúdo seguiu o briefing, calcular comissões, monitorar vendas e fazer pagamentos.

Com dezenas de influenciadores isso já pode ser trabalhoso. Com milhares, torna-se praticamente inviável em planilhas. É justamente nesse ponto que a Inbazz entra.

Marcellino descreve a plataforma como um "CRM para influenciadores". A empresa centraliza toda a operação e automatiza tarefas que normalmente seriam feitas manualmente. Se uma marca aprova determinado criador, por exemplo, o sistema pode encaminhar automaticamente informações para logística, organizar envios e acompanhar métricas das campanhas.

A empresa também passou a investir em ferramentas próprias de inteligência artificial. Uma delas, chamada Brief Check AI, compara automaticamente o conteúdo publicado pelo influenciador com as diretrizes definidas pela marca. Segundo a startup, a ferramenta reduziu em até 45% o tempo gasto na validação de conteúdos em alguns clientes.

Qual é o plano para chegar aos R$ 12 milhões

Se em 2025 o faturamento da empresa fechou em R$ 4,8 milhões, a próxima etapa do crescimento está diretamente ligada à inteligência artificial. Segundo Marcellino, 40% da receita projetada para este ano deverá vir de produtos baseados em IA.

A empresa começou a incorporar recursos capazes de automatizar novas etapas da operação, incluindo análise de compatibilidade entre influenciadores e marcas. O sistema cruza dados de desempenho histórico, perfil de audiência, região, gênero e comportamento de vendas para aumentar a precisão das recomendações.

"A gente percebeu que tinha acumulado uma camada muito rica de dados sobre quem vendeu, o que vendeu e para quem vendeu. Isso abriu espaço para desenvolver produtos em cima dessa inteligência", afirma.

A empresa também lançou um serviço chamado Creators Match, que busca identificar influenciadores mais aderentes às necessidades de cada campanha. A ideia é transformar anos de dados operacionais em uma espécie de motor de recomendações.

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