Universal Music sobe 13% após oferta de compra de US$ 64 bilhões
A maior gravadora do mundo pode estar prestes a mudar de mãos. E isso animou o mercado. Dona de um catálogo que reúne nomes como Taylor Swift e Lady Gaga, a ação da Universal Music Group subiu 13% após o anúncio de uma proposta de compra de US$ 64,4 bilhões.
A proposta de aquisição veio da gestora Pershing Square Capital Management, em 55,8 bilhões de euros. O movimento nos papéis foi expressivo para uma companhia que acumulava queda de 23% no ano, de acordo com dados consultados pela CNBC.
Se a compra for efetuada, cada acionista da Universal receberá 0,77 ação da nova companhia fusionada, além de uma parcela em dinheiro de um total de 9,4 bilhões de euros distribuídos entre todos os detentores do papel.
Fontes ouvidas pela CNBC veem que uma mudança de controle nessa escala teria efeitos práticos sobre contratos, royalties e modelos de distribuição em todo o planeta.
A nova empresa seria listada na Bolsa de Nova York (NYSE), com o fechamento previsto ainda para 2026.
O diagnóstico de Ackman
O bilionário Bill Ackman, dono da Pershing, já vinha sinalizando há tempos que as ações da Universal negociavam abaixo do valor real e que os culpados não eram os resultados do negócio, mas fatores externos que, na sua visão, poderiam ser corrigidos.
Na visão da Pershing, três fatores específicos jogaram contra a valorização das ações da gravadora nos últimos anos — nenhum deles relacionado ao desempenho operacional.
O primeiro é a participação de 18% do Groupe Bolloré no capital da empresa, que o mercado sempre enxergou com desconfiança, segundo fontes ouvidas pela CNBC.
O segundo é o adiamento da migração da listagem primária da Universal para os Estados Unidos (EUA), uma demanda antiga de investidores que acreditam que o papel seria mais bem precificado em Wall Street.
O terceiro é o que a gestora descreve como comunicação deficiente com o mercado.
"O preço das ações da UMG ficou estagnado devido a uma combinação de fatores que não têm relação com o desempenho do seu negócio musical e, o mais importante, todos eles podem ser resolvidos com esta transação", afirmou Ackman.
Governança reformulada
A Pershing Square condicionou o fechamento da operação a uma série de mudanças na estrutura de governança da Universal, o que revela que o interesse vai além da participação financeira.
No topo da lista está a renovação do conselho de administração, com a indicação de Michael Ovitz para presidi-lo. Dois representantes da gestora também passariam a integrar o board.
Além disso, o CEO Lucian Grainge — que permaneceria no cargo — teria seu contrato de trabalho e sua remuneração renegociados como parte das condições da transação.
Alta generalizada
O anúncio desta terça-feira, 7, reverberou também nos papéis do grupo francês: Vivendi subiu 11% e Bolloré avançou 6,3% na bolsa, sinalizando que o mercado enxerga possíveis desdobramentos também para os acionistas do lado europeu da equação.
Procuradas pela CNBC, Bolloré e UMG não comentaram a proposta. A Vivendi informou que não vai se manifestar.
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