Vitamina D eleva resposta à quimioterapia em câncer de mama, diz estudo brasileiro

Por Vanessa Loiola 29 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Vitamina D eleva resposta à quimioterapia em câncer de mama, diz estudo brasileiro

Um suplemento diário de vitamina D pode potencializar a quimioterapia em mulheres com câncer de mama. É o que mostrou um estudo conduzido na Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (FMB-UNESP), apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

A pesquisa acompanhou 80 mulheres com mais de 45 anos, divididas em dois grupos. Os resultados foram publicados na revista Nutrition and Cancer.

Taxa de sucesso subiu de 24% para 43%

As participantes foram divididas em um grupo, que recebeu dose diária de 2.000 UI (unidades internacionais) de vitamina D, enquanto o outro tomaram comprimidos de placebo. Todas foram submetidas à quimioterapia neoadjuvante — tratamento aplicado antes da cirurgia para reduzir tumores.

Após seis meses, a diferença foi significativa:

O aumento percentual na taxa de sucesso foi de aproximadamente 79%.

Dose utilizada foi baixa

Eduardo Carvalho-Pessoa, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia da Região de São Paulo e um dos autores do estudo, afirmou que a dosagem utilizada (2.000 UI por dia) está muito abaixo da dose usada para corrigir deficiência de vitamina D, que geralmente é de 50.000 UI por semana.

A maioria das participantes apresentava níveis baixos da vitamina no início do estudo (menos de 20 ng/mL). A Sociedade Brasileira de Reumatologia recomenda níveis entre 40 e 70 ng/mL.

Vitamina D e o sistema imunológico

A vitamina D é conhecida por ajudar o corpo a absorver cálcio e fósforo para a manutenção dos ossos. No entanto, evidências científicas mostram que ela também desempenha um papel no sistema imunológico, ajudando o organismo a se defender contra infecções e doenças, incluindo o câncer.

Carvalho-Pessoa destacou que o suplemento é uma opção acessível e de baixo custo em comparação com outros medicamentos usados para melhorar a resposta à quimioterapia, alguns dos quais não estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores alertam que ainda são necessários mais estudos. A dose usada foi considerada segura, mas a ingestão excessiva de vitamina D pode ser prejudicial, causando sintomas como vômitos, fraqueza, dor óssea e pedras nos rins. As diretrizes atuais recomendam 600 UI por dia para a maioria dos adultos e 800 UI para idosos.

"Estes são resultados encorajadores que justificam uma nova rodada de estudos com um número maior de participantes. Isso permitirá uma melhor compreensão do papel da vitamina D no aumento da resposta ao tratamento quimioterápico e, consequentemente, na maior probabilidade de remissão do câncer de mama", afirmou o pesquisador.

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