‘Você trabalha de casa, mas não cresce de casa’, diz CEO sobre home office
O avanço do home office nos últimos anos transformou a forma de trabalhar, mas, para Jonas Marques, CEO da Pague Menos, o modelo tem limitações importantes, especialmente no início da carreira.
Em entrevista ao podcast De Frente com CEO, da EXAME, o executivo deixou um conselho para profissionais que queiram avançar na carreira, principalmente para os que estão começando no mercado de trabalho:
“Você trabalha de casa, mas não cresce de casa”, diz Marques.
Para ele, o ambiente presencial ainda é fundamental para o desenvolvimento de habilidades que vão além da execução técnica, como liderança, comunicação e relacionamento.
“Queira o trabalho físico. Queira olho no olho. Aprenda, lidere. De casa, você não aprende isso. Isso é relacionamento humano”, afirma.
A fala vai na contramão de uma tendência que ganhou força após a pandemia, com empresas adotando modelos híbridos ou totalmente remotos. Ainda assim, Marques defende que, principalmente para jovens profissionais, a convivência no ambiente de trabalho é insubstituível.
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Escala 6x1: adaptação no radar
Além do debate sobre o modelo de trabalho, outro tema que preocupa o varejo é a possível mudança na escala 6x1, regime em que o trabalhador atua seis dias e descansa um.
O assunto tem ganhado força no Brasil e pode impactar diretamente setores com operação contínua, como o farmacêutico.
Segundo o CEO da Pague Menos, segunda maior rede de farmácias do Brasil, a companhia já se prepara para os diferentes cenários.
“Nós não somos contra a escala 5x2. Se ela vier a ser aprovada, a gente vai se adaptar”, diz.
Apesar disso, ele ressalta que a mudança exige atenção, especialmente no varejo, que funciona aos fins de semana e, em muitos casos, 24 horas por dia.
“Ela não é uma mudança banal, porque mexe com atividades como o varejo, que está aberto aos domingos e muitas vezes 24 horas”, afirma.
O executivo também levanta uma reflexão sobre os possíveis efeitos da mudança na dinâmica de trabalho.
“Será que a gente está preparado para essa mudança? Eu tenho uma dúvida real sobre isso”, diz o CEO.
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Trabalho, aprendizado e contexto
Para Marques, tanto o debate sobre o home office quanto o da jornada de trabalho precisam ser analisados dentro do contexto de cada setor e da realidade do país.
Ele reconhece que há uma tendência global de flexibilização das jornadas, mas defende que mudanças estruturais exigem preparação.
“A gente tem que preparar as pessoas para o que isso significa”, afirma.
No caso do trabalho remoto, o modelo, segundo ele, pode funcionar para profissionais mais experientes ou para algumas áreas como TI, mas tende a limitar o desenvolvimento de quem está começando.
Já no caso da escala 6x1, a adaptação é possível, mas trará desafios para o setor, como abrir um negócio menos dias (como os supermercados do Espírito Santo já estão fazendo ao fechar aos domingos) ou contratar mais pessoas.
Em um setor considerado essencial, como o farmacêutico, a equação envolve não apenas produtividade, mas também acesso da população a serviços de saúde.
“A maioria das nossas lojas está aberta 24 horas, afinal somos um serviço de utilidade pública”, afirma o presidente.
Diante de um mercado de trabalho em transformação, Marques defende três pilares para o futuro: aprendizado contínuo, convivência e adaptação, uma combinação que, segundo ele, define não apenas o desempenho das empresas, mas a evolução das pessoas dentro delas.
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Sobre a Pague Menos
Fundada em 1981, em Fortaleza (CE), a Pague Menos se consolidou como uma das maiores redes de farmácias do país, com forte presença nas regiões Norte e Nordeste.
A companhia é hoje a segunda maior rede de farmácias do Brasil e tem apostado em expansão de lojas, fortalecimento da operação e maior acesso a medicamentos como principais alavancas de crescimento.
Veja a entrevista completa de Jonas Marques, CEO da Pague Menos, sobre trajetória profissional, futuro do trabalho e expectativas com o negócio no podcast "De frente com CEO", da EXAME:
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