Wall Street sobe forte apesar de pessimismo recorde nos EUA

Por Ana Luiza Serrão 25 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Wall Street sobe forte apesar de pessimismo recorde nos EUA

As bolsas em Wall Street podem até acumular recordes, com as ações operando nos níveis mais caros em décadas, mas os consumidores dos Estados Unidos estão mais pessimistas do que em qualquer outro momento dos últimos 70 anos, segundo pesquisa da Universidade de Michigan.

Na sexta-feira, 22, o S&P 500 encerrou sua oitava semana seguida de alta, enquanto o Dow Jones Industrial Average voltou a renovar máximas históricas.

Ao mesmo tempo, o índice de confiança do consumidor medido pela instituição caiu ao menor patamar já registrado desde o início do levantamento nos anos 1950.

A desconexão chama atenção porque, historicamente, mercados acionários fortes costumam vir acompanhados de consumidores mais confiantes, mas o humor segue deteriorado, conforme informações divulgadas pelo Wall Street Journal.

Bolsa revive níveis da bolha da internet

O contraste fica evidente ao observar os valuations. O S&P 500 atingiu uma relação preço/lucro ajustada de 40,8. Em 145 anos da série histórica, ele só operou acima desse nível durante a bolha da internet no início dos anos 2000.

Naquele período, porém, o clima econômico era completamente diferente na avaliação de fontes ouvidas pelo WSJ.

A economia do país crescia, a inflação permanecia controlada, o desemprego estava baixo e uma uma onda de otimismo atingia os consumidores.

Guerra no Irã e inflação pioram humor

Agora, o sentimento do consumidor, que já vinha pressionado, piorou. O conflito no Oriente Médio provocou alta nos preços da gasolina e ampliou preocupações sobre inflação e custo de vida.

O atual índice da Universidade de Michigan ficou 10% abaixo até mesmo dos níveis registrados em junho de 2022, auge da inflação pós-pandemia nos Estados Unidos.

"Não acho que o fato de estarmos abaixo dos níveis de junho de 2022 deva surpreender alguém", esclareceu. "Os preços continuam extremamente altos, o mercado de trabalho enfraqueceu inequivocamente nos últimos quatro anos e agora estamos no meio de uma guerra."

IA ajuda a explicar euforia em Wall Street

Uma das principais razões por trás desse movimento contrastante entre o desempenho da bolsa e o sentimento dos consumidores é a inteligência artificial (IA), mesmo que parte dos investidores ainda tema que os bilhões de dólares investidos na área possam não gerar retorno suficiente no futuro.

Isso porque parcela relevante dos investidores segue apostando que a tecnologia será um motor de aumento de produtividade e expansão de margens nas empresas, de acordo com o diretor do Centro de Economia Financeira da Universidade Johns Hopkins, Robert Barbera, ouvido pelo WSJ.

Também pesa sobre as ações a expectativa de que a economia possa apresentar um cenário promissor nos próximos meses, antes mesmo de essa melhora aparecer na economia real, como a possibilidade de desaceleração da inflação, a eventual redução dos juros e um possível acordo para encerrar a guerra.

Barbera não descartou, porém, que os preços dos papéis podem estar, de fato, desalinhados com os fundamentos das companhias, correndo o risco de cair de forma abrupta.

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