Água-viva: urinar na queimadura funciona? Entenda os mitos
Queimaduras provocadas por águas-vivas costumam aumentar durante períodos de calor e férias em praias, mas muitos cuidados ainda são cercados por mitos. Um dos mais conhecidos — urinar sobre a queimadura — além de não ajudar, pode piorar a dor.
Segundo médicos da Cleveland Clinic, a urina não possui concentração suficiente de substâncias capazes de neutralizar o veneno liberado pelos tentáculos. Em alguns casos, o contato pode estimular ainda mais as células urticantes da água-viva e aumentar a ardência.
Por que urinar na queimadura não funciona?
A crença popular ganhou fama após filmes e séries de TV, mas especialistas afirmam que não existe comprovação científica de que a urina alivie queimaduras causadas por águas-vivas.
Segundo o estudo, a maior parte da urina é composta por água, o que pode provocar nova liberação das toxinas presentes nos tentáculos aderidos à pele. Pesquisadores afirmam ainda que diferentes espécies de águas-vivas reagem de formas distintas, tornando esse tipo de prática potencialmente arriscada.
O que fazer após queimadura de água-viva?
Especialistas recomendam que a primeira medida seja lavar a área afetada com água do mar — e não água doce. Isso porque a água doce pode provocar nova liberação de toxinas presentes nos tentáculos.
Pesquisadores da University of Florida Health também indicam o uso de vinagre para ajudar a neutralizar células urticantes que permanecem na pele após o contato. Aplicar gelo pode ajudar a reduzir dor e inflamação. Em alguns casos, médicos recomendam anti-histamínicos ou anti-inflamatórios para aliviar sintomas como coceira, inchaço e vermelhidão.
Águas-vivas continuam perigosas fora do mar?
Um estudo citado por pesquisadores da Florida Gulf Coast University destaca que até espécies microscópicas podem causar queimaduras dolorosas.
Água-viva ataca pessoas?
Pesquisadores afirmam que águas-vivas não atacam humanos intencionalmente. As queimaduras acontecem quando banhistas entram em contato acidental com os tentáculos durante o mergulho ou na areia.
Segundo a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), humanos não fazem parte da alimentação desses animais. As águas-vivas utilizam seus tentáculos para capturar pequenos peixes, plânctons e outros organismos marinhos.
Algumas espécies podem causar risco de morte?
Na maioria dos casos, as queimaduras provocam dor, vermelhidão e irritação temporária. Porém, algumas espécies podem causar reações graves. Entre elas está a Box Jellyfish (conhecida em português como água-viva-caixa ou vespa-do-mar), considerada uma das mais venenosas do mundo.
Encontrada principalmente na Austrália e na região do Indo-Pacífico, ela pode provocar complicações fatais em casos raros. Especialistas também alertam para reações alérgicas severas, que exigem atendimento médico imediato.
Atualmente, a estimativa é que existam pelo menos mil espécies de águas-vivas espalhadas pelos oceanos. Elas habitam desde regiões tropicais até áreas profundas e congeladas.
Pesquisadores afirmam que esses animais existem há mais de 500 milhões de anos e desempenham papel importante no ecossistema marinho, servindo de alimento para peixes e tartarugas marinhas.
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