Azzas fecha 2025 com R$ 770 mi de lucro e pressão na receita do 4º tri

Por Mitchel Diniz 12 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Azzas fecha 2025 com R$ 770 mi de lucro e pressão na receita do 4º tri

A Azzas 2154, maior grupo de moda da América Latina, encerrou 2025 com aumento do lucro e forte geração de caixa no primeiro ano completo após a fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma. O desempenho foi sustentado pelo crescimento das marcas de vestuário feminino, enquanto a reestruturação da Hering pressionou receitas no curto prazo.

No quarto trimestre, a companhia registrou lucro líquido de R$ 168 milhões, praticamente estável em relação ao mesmo período de 2024 (-0,5%). A margem líquida ficou em 5,1%.

O EBITDA recorrente somou R$ 501,1 milhões, queda de 3,5% na comparação anual, enquanto a margem EBITDA avançou para 15,4%, com leve expansão de 0,1 ponto percentual, refletindo redução de despesas.

A receita bruta foi de R$ 4,13 bilhões, recuo de 2,3% frente ao quarto trimestre de 2024. A receita líquida caiu 4,1%, para R$ 3,26 bilhões. Parte da pressão veio da reorganização comercial da Hering e da decisão de reduzir vendas para franquias para ajustar estoques da rede.

Mesmo com a queda da receita, o trimestre foi marcado por forte geração de caixa. O fluxo de caixa operacional chegou a R$ 838 milhões, o maior desde a fusão que criou o grupo.

No ano de 2025, a companhia registrou lucro líquido de R$ 770,7 milhões, alta de 30,5% em relação a 2024. A margem líquida avançou para 6,5%, com melhora de 1,4 ponto percentual.

O EBITDA recorrente anual alcançou R$ 1,94 bilhão, crescimento de 5,8%, enquanto a margem EBITDA subiu para 16,4%, avanço de 0,6 ponto percentual. Segundo a companhia, excluindo o impacto da transformação da Hering, a margem teria sido de 18,4%.

A receita bruta consolidada somou R$ 14,77 bilhões em 2025, alta de 4,3%, enquanto a receita líquida chegou a R$ 11,83 bilhões, crescimento de 2,2%.

A geração de caixa operacional no ano totalizou R$ 1,2 bilhão, equivalente a 71% do EBITDA pré-IFRS-16, resultado impulsionado pela melhora no capital de giro e por maior disciplina nos investimentos.

A companhia também reduziu despesas ao longo do ano. As despesas administrativas e comerciais (SG&A) recuaram 5,4% no quarto trimestre, com diluição de 0,5 ponto percentual em relação à receita líquida. A disciplina na alocação de capital também levou a uma queda do capex em 30,8% em 2025, para R$ 383,7 milhões, após revisão de investimentos e priorização de projetos com maior retorno.

Entre as divisões, o principal motor de crescimento foi a Fashion Women, que reúne marcas como Farm Rio, Animale e NV. A unidade registrou receita de R$ 5,65 bilhões em 2025, avanço de 18,7%. A Farm Rio sozinha faturou R$ 3,4 bilhões, com crescimento de 22,4% no ano e expansão de 27,6% nas operações internacionais.

A divisão Fashion Men, que inclui Reserva, Oficina e Foxton, teve receita de R$ 1,94 bilhão, alta de 7,4%. Já a unidade Shoes & Bags, responsável por marcas como Arezzo, Schutz e Anacapri, registrou R$ 4,48 bilhões em receita, queda de 1,2% no ano.

A unidade Basic, que reúne as marcas da Hering, teve receita de R$ 2,63 bilhões em 2025, praticamente estável na comparação anual. No quarto trimestre, porém, a receita da divisão caiu 12,7%, impactada pelas mudanças na estratégia comercial e pela redução de estoques nas franquias.

Em fevereiro, a companhia anunciou uma nova reorganização que colou Arezzo e Hering sob uma mesma estrutura de gestão. A mudança faz parte do esforço de simplificação organizacional e captura de sinergias entre as unidades Shoes & Bags e Basic, à medida que o grupo consolida suas operações no primeiro ano completo após a combinação de negócios.

A companhia também vem aumentando o peso das vendas diretas ao consumidor. Em 2025, as vendas em lojas próprias e e-commerce cresceram 9,3%, enquanto as vendas para franquias e multimarcas avançaram 1,5%.

Com a forte geração de caixa, a Azzas encerrou o ano com alavancagem de 1,28 vez dívida líquida/EBITDA, abaixo do nível registrado no trimestre anterior, mesmo após pagar R$ 500 milhões em dividendos e realizar R$ 167 milhões em recompra de ações.

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