Irã não bloqueará o Estreito de Ormuz, diz embaixador do país após ameaça de líder supremo
O Irã não pretende fechar o Estreito de Ormuz, afirmou nesta quinta-feira, 12, o embaixador iraniano nas Nações Unidas, em resposta a declarações atribuídas ao líder supremo Mojtaba Khamenei sobre o uso da passagem marítima como instrumento de pressão.
O representante iraniano na Organização das Nações Unidas (ONU), Amir Saeid Iravani, declarou a jornalistas que Teerã não pretende bloquear a rota estratégica, mas afirmou que o país considera legítimo atuar para preservar a segurança da região.
“Não vamos fechar o Estreito de Ormuz, mas é nosso direito intrínseco preservar a paz e a segurança nesta via navegável”, disse Amir Saeid Iravani a jornalistas na ONU.
Segundo o embaixador, o Irã continua comprometido com o princípio de liberdade de navegação. Iravani atribuiu aos Estados Unidos a escalada de tensões na região do Golfo.
“A situação atual na região, incluindo no Estreito de Ormuz, não é resultado do exercício legítimo do direito de autodefesa do Irã. Pelo contrário, é consequência direta das ações desestabilizadoras dos Estados Unidos, que lançaram agressões contra o Irã e minaram a segurança regional”, acrescentou.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, informou nesta quinta-feira, 12, em declarações publicadas pela agência iraniana Mehr, que embarcações continuam autorizadas a cruzar a rota marítima desde que mantenham coordenação com a Marinha iraniana.
"Após os acontecimentos recentes, de forma geral não podemos retornar às condições anteriores ao dia 28 de fevereiro (início da guerra no Oriente Médio), pois entendemos a importância da segurança do Estreito de Ormuz, e o mesmo foi dito pelos demais", acrescentou o porta-voz.
Recado do líder supremo do Irã aos EUA
Em sua primeira manifestação pública após assumir o cargo, Mojtaba Khamenei afirmou que o Estreito de Ormuz deveria permanecer fechado como mecanismo de pressão no contexto do conflito regional.
A mensagem foi lida por uma apresentadora na televisão estatal iraniana. O líder supremo não apareceu publicamente desde o início da guerra. Segundo a imprensa americana, ele teria sido ferido durante ataques recentes.
O embaixador do Irã no Chipre, Alireza Salarian, declarou ao jornal britânico The Guardian, na quarta-feira, 11, que Mojtaba Khamenei sofreu ferimentos no mesmo bombardeio aéreo que matou o então líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, junto a outros cinco membros da família.
A declaração atribuída ao novo líder supremo também pede unidade interna e alerta para possíveis ataques a instalações militares dos Estados Unidos na região.
"Temos tido um bom relacionamento com todos esses 15 países vizinhos... atacamos apenas essas bases militares e continuaremos, teremos que continuar e continuaremos a fazê-lo", comentou.
Khamenei também afirmou que o governo iraniano pretende cobrar reparações pelos ataques atribuídos a Estados Unidos e Israel.
"Vamos exigir compensação do inimigo. Se não conseguirmos compensação, destruiremos suas propriedades tanto quanto eles destruíram as nossas", disse Khamenei em um discurso lido por uma apresentadora na televisão estatal.
Entenda a guerra no Oriente Médio
Estados Unidos e Israel iniciaram no sábado, 28 de fevereiro, uma ofensiva aérea contra o Irã em meio a impasses relacionados ao programa nuclear do país. A ação ocorre em um cenário de tensão regional envolvendo instalações estratégicas e bases militares.
Após os ataques, Teerã anunciou retaliações contra países do Oriente Médio que abrigam bases norte-americanas, entre eles Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque. Os governos desses países passaram a relatar impactos diretos das ações militares em seus territórios.
No domingo, a mídia estatal iraniana informou que o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, foi uma das vítimas dos ataques conduzidos por forças americanas e israelenses.
Depois do anúncio da morte de Khamenei, o governo iraniano declarou que poderá lançar a "ofensiva mais pesada" de sua história. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país considera retaliar Israel e Estados Unidos um "direito e dever legítimo".
Em resposta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu Teerã contra novas ações militares. "é melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista", declarou. Os confrontos entre as partes continuaram ao longo deste domingo, 1º de março.
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*Com informações das agências AFP e EFE.
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