O dia em que a Porsche quase comprou a Volkswagen

Por Ana Luiza Serrão 6 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O dia em que a Porsche quase comprou a Volkswagen

Parece cena de filme, mas aconteceu. Em 2008, uma ofensiva da Porsche para assumir o controle da Volkswagen transformou o mercado financeiro global em poucos dias.

A montadora, então vista como uma fabricante de nicho, revelou uma posição que a colocaria próxima de dominar a gigante alemã — movimento que levou a Volkswagen a se tornar, por um breve período, a empresa mais valiosa do mundo, avaliada em cerca de 296 bilhões de euros (cerca de R$ 1,72 trilhão).

O episódio também gerou perdas estimadas em 15 bilhões de euros em apenas dois dias para investidores que apostavam na queda das ações, em uma das maiores reviravoltas já registradas no mercado.

Porsche quase assumiu Volkswagen

Tudo começou quando a Porsche soltou uma nota oficial revelando que era dona de 42,6% das ações ordinárias da Volkswagen e que possuía opções para comprar outros 31,5%.

A empresa iria deter o controle de 74,1% dos votos, com o objetivo claro de chegar aos 75% para mandar sozinha na Volks. Mas, até então, a direção da Porsche negava publicamente qualquer plano desse tipo.

Conforme fontes reportaram à Bloomberg e agências internacionais na época, essa notícia causou um efeito dominó chamado "short squeeze", quando os investidores vendidos são obrigados a recomprar o papel para limitar prejuízos.

Muitos fundos de hedge tinham apostado que o preço da Volkswagen ia cair e, por isso, venderam ações que não tinham, ou seja, alugadas, esperando comprá-las de volta por um valor menor depois.

Explosão: ação a mais de 1.000 euros

O resultado dessa escassez foi uma explosão nos preços, com o valor da ação da Volkswagen saltando de cerca de 290 euros para 1.005 euros, de acordo com fontes consultadas pelo Financial Times e registros da Reuters.

Para tentar acalmar os ânimos e dar liquidez ao mercado, a Porsche aceitou liquidar cerca de 5% de suas opções, o que ajudou a baixar a poeira e fez as ações recuarem pela metade no dia seguinte.

Analistas acreditavam que a Porsche poderia lucrar até 5,9 bilhões de euros apenas nessa venda de opções, dinheiro que seria usado justamente para financiar o resto da compra da Volkswagen.

A conta que não fechou e a justiça

Em 2009, porém, a Porsche acumulava cerca de dez bilhões de euros em dívida para bancar a ofensiva. Sem fôlego, viu o jogo virar e a Volkswagen estruturou um resgate e acabou comprando a rival.

A Volkswagen concluiu a compra dos 50,1% que ainda não possuía do negócio de carros esportivos da Porsche em julho de 2012, por 4,46 bilhões de euros, encerrando uma disputa de sete anos entre as famílias controladoras.

Mas o caso não finalizou aí e foi parar na justiça. Grupos de fundos de hedge dos Estados Unidos tentaram processar a Porsche pedindo bilhões em indenizações, alegando que foram enganados.

No entanto, um tribunal em Nova York arquivou o processo em 2012, entendendo que o caso deveria ser resolvido na Alemanha, onde os fatos ocorreram. A definição final veio apenas em 2016.

A justiça absolveu o ex-CEO da Porsche, Wendelin Wiedeking, e o ex-CFO, Holger Härter, de todas as acusações de manipulação de mercado, afirmando que não ficou provado que a empresa agiu de má fé.

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