O que Michael Burry, de 'A Grande Aposta', pensa do novo rali da IA

Por Ana Luiza Serrão 12 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O que Michael Burry, de 'A Grande Aposta', pensa do novo rali da IA

Um dos investidores mais antigos de Wall Street, Michael Burry, vê que o atual rali das ações ligadas à inteligência artificial (IA) está começando a lembrar os momentos finais da bolha de internet no fim dos anos 1990.

O alerta veio em uma semana de forte disparada das empresas de chips, com investidores aportando dinheiro em papéis ligados à IA enquanto os índices dos Estados Unidos seguem renovando máximas históricas.

A Nvidia continua perto das máximas históricas após liderar o rali dos chips neste ano, enquanto a Alphabet (dona do Google) e Meta (dona do Facebook) avançam com o crescimento das receitas ligadas à tecnologia.

"Me sinto como nos últimos meses da bolha de 1999-2000", escreveu. Ele disse também que as ações estão subindo porque já vinham subindo, e não porque os fundamentos econômicos justificam esse movimento.

O que chamou atenção de Burry

O principal exemplo citado por Burry foi o índice Philadelphia Semiconductor, conhecido no mercado pela sigla SOX, que reúne gigantes do setor de semicondutores e virou um dos termômetros da corrida global pela IA.

No acumulado de 2026, os ganhos já passam de 65%, segundo informações são da CNBC.

As vendas mundiais desses semicondutores somaram US$ 298,5 bilhões no primeiro trimestre, um salto de 25% na comparação com o quarto trimestre de 2025, de acordo com a Semiconductor Industry Association (SIA).

Boa parte dessa alta vem da expectativa de que a IA vai provocar uma explosão de demanda por chips, servidores e infraestrutura tecnológica nos próximos anos, mas nada garante o crescimento ilimitado.

Na bolha da internet, por exemplo, empresas de tecnologia também subiam de forma acelerada, mas as ações caíram quando os valuations ficaram muito longe da realidade, detalhou o investidor.

Nem os otimistas ignoram o risco

Além disso, até investidores mais otimistas começaram a fazer comparações, como é o caso do Paul Tudor Jones, embora este veja espaço para a alta continuar por mais tempo do que em 1990.

Em entrevista à CNBC, ele afirmou acreditar que o rali pode durar mais um ou dois anos antes de uma correção mais pesada; e, caso a euforia persista, o mercado de ações pode subir 40%.

"O Produto Interno Bruto (PIB) do mercado de ações provavelmente vai crescer uns 300%, 350%. Dá para perceber que haverá algumas correções de tirar o fôlego", pontuou.

Fabricantes de chips, gigantes de tecnologia e empresas de software vêm puxando os ganhos há meses. Burry, porém, reforçou que o mercado entrou em um nível de obsessão perigoso: "ninguém fala de outra coisa o dia todo."

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