O que Michael Burry, de 'A Grande Aposta', pensa do novo rali da IA
Um dos investidores mais antigos de Wall Street, Michael Burry, vê que o atual rali das ações ligadas à inteligência artificial (IA) está começando a lembrar os momentos finais da bolha de internet no fim dos anos 1990.
O alerta veio em uma semana de forte disparada das empresas de chips, com investidores aportando dinheiro em papéis ligados à IA enquanto os índices dos Estados Unidos seguem renovando máximas históricas.
A Nvidia continua perto das máximas históricas após liderar o rali dos chips neste ano, enquanto a Alphabet (dona do Google) e Meta (dona do Facebook) avançam com o crescimento das receitas ligadas à tecnologia.
"Me sinto como nos últimos meses da bolha de 1999-2000", escreveu. Ele disse também que as ações estão subindo porque já vinham subindo, e não porque os fundamentos econômicos justificam esse movimento.
O que chamou atenção de Burry
O principal exemplo citado por Burry foi o índice Philadelphia Semiconductor, conhecido no mercado pela sigla SOX, que reúne gigantes do setor de semicondutores e virou um dos termômetros da corrida global pela IA.
No acumulado de 2026, os ganhos já passam de 65%, segundo informações são da CNBC.
As vendas mundiais desses semicondutores somaram US$ 298,5 bilhões no primeiro trimestre, um salto de 25% na comparação com o quarto trimestre de 2025, de acordo com a Semiconductor Industry Association (SIA).
Boa parte dessa alta vem da expectativa de que a IA vai provocar uma explosão de demanda por chips, servidores e infraestrutura tecnológica nos próximos anos, mas nada garante o crescimento ilimitado.
Na bolha da internet, por exemplo, empresas de tecnologia também subiam de forma acelerada, mas as ações caíram quando os valuations ficaram muito longe da realidade, detalhou o investidor.
Nem os otimistas ignoram o risco
Além disso, até investidores mais otimistas começaram a fazer comparações, como é o caso do Paul Tudor Jones, embora este veja espaço para a alta continuar por mais tempo do que em 1990.
Em entrevista à CNBC, ele afirmou acreditar que o rali pode durar mais um ou dois anos antes de uma correção mais pesada; e, caso a euforia persista, o mercado de ações pode subir 40%.
"O Produto Interno Bruto (PIB) do mercado de ações provavelmente vai crescer uns 300%, 350%. Dá para perceber que haverá algumas correções de tirar o fôlego", pontuou.
Fabricantes de chips, gigantes de tecnologia e empresas de software vêm puxando os ganhos há meses. Burry, porém, reforçou que o mercado entrou em um nível de obsessão perigoso: "ninguém fala de outra coisa o dia todo."
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