Por que o coração não tem câncer? A resposta pode estar nos batimentos

Por Vanessa Loiola 25 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Por que o coração não tem câncer? A resposta pode estar nos batimentos

Os batimentos cardíacos podem desempenhar um papel direto na proteção contra o câncer. Um estudo publicado na revista Science indica que a força mecânica gerada durante o bombeamento de sangue dificulta a multiplicação de células cancerígenas - pelo menos em modelos com ratos.

A descoberta ajuda a explicar por que tumores primários no coração são extremamente raros. Em humanos, esse tipo de câncer aparece em menos de 1% das autópsias, enquanto tumores secundários, que se originam em outros órgãos, podem ser encontrados em até 18% dos casos.

Pressão do coração pode frear tumores

A pesquisa foi liderada por Serena Zacchigna e envolveu experimentos com camundongos. Os cientistas transplantaram corações para a região do pescoço dos animais, criando estruturas que continuavam recebendo sangue, mas não apresentavam batimentos.

Ao injetar células cancerígenas, os pesquisadores observaram diferenças claras entre os grupos analisados. Nos corações sem batimento, as células tumorais se multiplicaram rapidamente. Já nos corações ativos, apenas cerca de 20% do tecido foi afetado, indicando uma limitação no avanço do câncer.

Os resultados sugerem que o movimento contínuo do órgão cria um ambiente menos favorável à proliferação de células tumorais.

Experimentos em laboratório reforçam hipótese

Para aprofundar a análise, a equipe desenvolveu tecido cardíaco em laboratório. Quando esse material permanecia estático, as células cancerígenas cresciam com facilidade. Em contrapartida, no tecido submetido a estímulos que simulavam batimentos, o crescimento foi menor e restrito às camadas externas.

Segundo os pesquisadores, o fator central é o chamado “estresse mecânico”, ou seja, a pressão física gerada pelo movimento constante do músculo cardíaco.

Por que o coração quase não tem câncer

A raridade de tumores cardíacos já era conhecida, mas ainda carecia de explicação. Para James Chong, o estudo apresenta uma hipótese consistente.

A ideia é que o mesmo mecanismo que dificulta a regeneração do tecido cardíaco também limita a multiplicação descontrolada de células, incluindo as cancerígenas.

O que a descoberta pode mudar

Os pesquisadores agora investigam se esse efeito pode ser reproduzido em outras partes do corpo, como pele e mama, com o objetivo de conter o crescimento de tumores.

Outra linha de estudo analisa se condições que aumentam a pressão sobre o coração, como a hipertensão, podem influenciar esse processo, embora essa relação ainda não esteja comprovada.

Além do câncer, os resultados também podem ajudar a entender outras doenças cardíacas, como a fibrose, caracterizada pela formação irregular de tecido cicatricial no músculo do coração.

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