A história do Macaco Punch: por que mães podem rejeitar filhotes?

Por Paloma Lazzaro 24 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
A história do Macaco Punch: por que mães podem rejeitar filhotes?

Nos últimos dias, as imagens de um filhote de macaco com seu bichinho de pelúcia tomaram conta das linhas do tempo nas redes sociais. O pequeno Punch é um macaco-japonês (Macaca fuscata) de apenas sete meses de vida que já se tornou uma celebridade global.

Punch nasceu no zoológico de Ichikawa, a cerca de 30 quilômetros de Tóquio, no Japão. Assim como os bebês humanos, primatas filhotes precisam do colo e da atenção dos pais, mas, infelizmente, o macaco foi rejeitado pela mãe. Os tratadores do zoológico entraram em cena e passaram a cuidar do pequeno até ele ser reintegrado ao grupo de macacos, em janeiro.

Sem uma mãe para guiá-lo socialmente, ele enfrentou dificuldades para se entrosar com os outros animais. Em sua vida solitária, Punch tinha apenas um amigo: um orangotango de pelúcia que ele levava para todo o canto.

Punch foi filmado diversas vezes sendo empurrado e ignorado pelos adultos e ganhou o mundo depois que vídeos de sua trajetória viralizaram nas redes sociais. Impulsionadas por uma hashtag criada pelo próprio zoológico, a #HangInTherePunch ("Segura aí, Punch", em tradução livre), as publicações do macaquinho derreteram os corações da internet.

I am not crying, you are.

For those who aren’t familiar with Punch, he is a baby monkey from Japan who was separated from his mother shortly after birth. Since then, zookeepers have been raising him and hand-feeding him to help him survive.

Because he did not have his mother,… pic.twitter.com/nXfVevaZcX

— Crazy Moments (@Crazymoments01) February 22, 2026

Além da forte resposta emocional, o caso levanta a seguinte pergunta: por que uma mãe abandonaria um filhote saudável?

Por que o abandono materno pode acontecer?

O abandono de filhotes, embora incomum, pode ocorrer em determinadas circunstâncias.

No caso de Punch, dois fatores se somaram: sua mãe estava tendo seu primeiro filhote, o que indica inexperiência, e o parto aconteceu durante uma onda de calor intensa, um ambiente de alto estresse.

"Em situações em que a sobrevivência é ameaçada por fatores externos, como uma onda de calor, as mães podem priorizar a própria saúde e a reprodução futura em vez de continuar cuidando de um filhote", disse Alison Behie, especialista em primatologia da Universidade Nacional da Austrália, ao The Guardian

Takashi Yasunaga, responsável pela divisão de zoológicos da prefeitura de Ichikawa, confirmou ao New York Times que esses fatores combinados provavelmente levaram ao abandono.

Como são as sociedades de macacos-japoneses?

Os macacos-japoneses são os primatas não humanos que vivem mais ao norte do planeta. Conhecidos popularmente como "macacos da neve", são famosos por frequentar fontes termais nas montanhas do Japão.

Do ponto de vista social, a espécie forma grupos com hierarquias rígidas e matrilineares, ou seja, as mães são as figuras centrais das famílias. Behie explica que famílias de posição mais alta exercem dominância sobre as de posição inferior. Esse é um comportamento estrutural do grupo, não uma exceção.

É dentro dessa hierarquia que a ausência da mãe se torna especialmente problemática. Sem a orientação materna, Punch pode não desenvolver as respostas subordinadas adequadas para demonstrar submissão à dominância dos outros. Isso pode comprometer sua integração no grupo até a vida adulta.

"Os comportamentos dos outros macacos em relação ao Punch não são bullying nem comportamento anormal, mas interação social regular", diz a pesquisadora.

Qual é a função do macaco de pelúcia?

Antes de chegar ao orangotango de pelúcia, os tratadores do zoológico tentaram outras alternativas como toalhas enroladas em diferentes espessuras e até uma girafa de pelúcia.

Punch, no entanto, demonstrou preferência clara pelo brinquedo que se assemelhava a um primata.

Orangotango de pelúcia: o brinquedo se tornou o companheiro mais fiel de Punch (Getty Images)

O tratador Kosuke Shikano explicou ao The Guardian o raciocínio por trás da escolha: "Filhotes de macaco-japonês se agarram ao corpo da mãe logo após o nascimento para desenvolver força muscular. Eles também obtêm uma sensação de segurança ao se segurar em algo. Como Punch foi abandonado, ele não tinha nada para se agarrar."

Shikano acrescentou que a aparência de macaco do brinquedo foi pensada justamente para facilitar a reintegração do filhote ao grupo no futuro.

O tratador Kosuke Kano contou à emissora TBS News Dig que Punch se apegou ao brinquedo quase imediatamente, e que ele se tornou uma fonte concreta de segurança. Isso é evidente em um vídeo em que, após ser perseguido por um macaco adulto, o filhote corre para se refugiar nos braços do bicho de pelúcia.

Para Behie, o brinquedo cumpre um papel de figura de apego: "O brinquedo pode estar servindo como uma figura de vínculo, especialmente considerando que Punch ainda precisaria ser amamentado nessa fase da vida."

Um final feliz para Punch

O interesse do público foi tamanho que o zoológico de Ichikawa recebeu cerca de 8 mil visitantes no último fim de semana, mais do que o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior.

Apesar das dificuldades iniciais, o zoológico informou ao New York Times que Punch demonstra hoje "uma personalidade ativa e destemida" e tenta "proativamente se comunicar com os outros macacos".

Vídeos recentes mostram o filhote coçado por outro macaco, escalando as costas de adultos e até recebendo um abraço. Esses são sinais de que a integração social está, enfim, avançando.

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