A marca de moda brasileira Carnan mira o mercado internacional
O mercado nacional de moda vive um momento de criatividade com marcas independentes. Uma delas é a Carnan, que nasceu no streetwear, mas tem cada vez mais incorporado elementos da alfaiataria.
A Carnan é uma marca de moda masculina e feminina ainda pequena, mas ambiciosa. Hoje, está presente em mais de 70 pontos de venda ao redor do mundo por meio de colaborações internacionais, vende cerca de 20 mil peças por ano e já tira aproximadamente 10% do faturamento de mercados fora do Brasil.
Os fundadores agora querem ir além: o plano é fazer com que a receita internacional ultrapasse a nacional nos próximos cinco anos.
A força das collabs
A marca carioca foi fundada em 2018 por dois amigos da faculdade de publicidade, o mineiro Paulo Henrique Carneiro e o fluminense Breno Fernandes. O nome Carnan vem dos sobrenomes deles. “A evolução da Carnan acompanha diretamente o nosso amadurecimento pessoal e criativo”, afirma Carneiro. “Quando olhamos para trás, percebemos uma marca muito mais jovem, assim como nós também éramos naquele momento.”
Esse crescimento inclui a expansão internacional, algo que sempre esteve nos planos da dupla, mas que começou efetivamente dois anos atrás. Esse movimento já levou a Carnan a mercados como Estados Unidos, Canadá, Qatar, França e Austrália.
Hoje, a marca vende em parceiros como Concepts, nos Estados Unidos, Centre Commercial, em Paris, além de lojas internacionais como Kith, Undefeated, ESSX NYC, Incu e outras operações espalhadas pelo mundo em projetos de colaboração.
As collabs foram decisivas para ampliar o alcance global da marca. A parceria com o Copacabana Palace chamou atenção por unir uma marca de moda independente a um dos hotéis mais simbólicos do Brasil. A união com a Clarks teve peso histórico: foi o primeiro projeto da fabricante britânica de calçados na América do Sul.
Com a ASICS, a repercussão foi tão forte que a parceria ganhou uma segunda edição global, ampliando o alcance internacional da Carnan. Já o trabalho com a VEJA aproximou a empresa de discussões sobre sustentabilidade, cadeia produtiva e desenvolvimento de materiais.
Campanha da Carnan: alfaiataria com streetwear (Carnan/Divulgação)
A flagship em Pinheiros
Outro passo importante aconteceu longe do varejo tradicional: a Carnan realizou por duas temporadas um showroom próprio durante a Semana de Moda de Paris. “Foi uma experiência muito importante para a marca, tanto pela troca criativa quanto pelas conexões construídas nesse contexto internacional, que acabaram abrindo novas portas e fortalecendo ainda mais nossa presença fora do Brasil”, conta Fernandes.
No Brasil, a operação funciona hoje em modelo híbrido, com e-commerce, loja própria e uma rede de cerca de 25 pontos de venda autorizados. O online representa aproximadamente 70% das vendas, enquanto a loja física responde por 30%.
A flagship da Carnan foi inaugurada em agosto de 2024 em Pinheiros, em São Paulo, bairro que se transformou em um polo de moda autoral do país. A loja fica próxima de marcas nacionais independentes como Misci, DOD Alfaiataria, Neriage e Fernanda Yamamoto.
O espaço foi pensado como uma extensão da identidade da marca. O projeto arquitetônico leva assinatura do Estúdio Roca, do arquiteto Carlos Carvalho, e inclui peças desenhadas exclusivamente para a loja, como uma cadeira criada por Paulo Henrique Carneiro em parceria com a Contexto Marcenaria.
A Carnan trabalha com mais de 15 fornecedores especializados e aposta numa cadeia de produção fragmentada, em que diferentes oficinas e fábricas participam de etapas específicas das peças. Segundo os fundadores, a complexidade dos produtos nasce justamente dessa troca técnica constante entre criação e desenvolvimento.
Agora, a marca se prepara para entrar em uma nova categoria: calçados próprios. Segundo os fundadores, a primeira linha de footwear da Carnan deve ser lançada em breve. Com esses novos passos, a marca deve caminhar ainda mais longe.
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