Após investimento bilionário no surfe, Ronaldo Fenômeno aposta em clube de tênis e padel
O que começou como uma curiosidade pessoal virou estratégia de negócios. Depois de décadas dominando os gramados, o ex-jogador da seleção brasileira, Ronaldo Nazário (o famoso Ronaldo Fenômeno), decidiu apostar para além do futebol. Depois de anunciar em fevereiro deste ano a sociedade em um projeto de piscinas de ondas de R$ 1 bilhão em São Paulo, o empresário agora vai apostar no mercado de raquete.
A nova empreitada do ex-jogador atende pelo nome de Galácticos Rackets, um projeto que, segundo ele, pretende redefinir o cenário do tênis e do padel no Brasil, em um momento de forte crescimento dessas modalidades no país.
Segundo o ITF Global Tennis Report, o Brasil registrou crescimento expressivo na base de praticantes de tênis desde a redução do imposto de importação de raquetes em 2021, com aumento de 70% no volume mensal de importações. No padel, dados do FIP World Padel Report 2025 apontam que a modalidade já ultrapassa 35 milhões de praticantes no mundo, com o Brasil entre os mercados de expansão mais sólida nas Américas. A Confederação Brasileira de Padel indica a abertura de cerca de três novas quadras por dia no território nacional. A demanda cresce, junto a necessidade por infraestrutura de qualidade.
“Nós acreditamos muito nesses dois esportes. O Brasil tem demanda de sobra e infraestrutura de menos. É aí que entra o Galácticos, queremos levar o tênis e o padel do Brasil a outro patamar”, afirma Ronaldo Nazário.
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Os três pilares do negócio de raquete do Ronaldo Fenômeno
O Galácticos Rackets, tem Ronaldo como sócio majoritário, está organizado em três pilares:
“Além de investir na alta demanda represada atualmente, nosso plano visa o fomento e a democratização. O foco não é só no agora, mas sim transformar o cenário no longo prazo criando um ciclo virtuoso para o ecossistema”, diz Ronaldo.
Para tirar o projeto do papel, o ex-jogador se associou ao Grupo Calçadão, que entra como sócio operador do Galácticos Rackets. A escolha ajuda a explicar a ambição do empreendimento: mais do que abrir quadras, a ideia é construir uma operação com experiência, recorrência e apelo de lifestyle.
Com trajetória consolidada nos esportes de areia, o Grupo Calçadão busca transformar o esporte em uma plataforma mais ampla de convivência e consumo. Em vez de apostar apenas no aluguel de quadras, o grupo estruturou um modelo que combina gastronomia, comunidade e experiência, unindo prática esportiva e socialização em uma mesma operação.
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Imagem ilustrativa do Galácticos Club: formato de clube privado e exclusivo, com número de sócios limitado por unidade (Galácticos Rackets/Divulgação)
A expansão nacional e o investimento de milhões
O Galácticos Rackets avança para a reta final de captação de recursos que deve viabilizar sua expansão nacional. O plano já está desenhado: para começar, serão inauguradas sete unidades em desenvolvimento no Sudeste, incluindo clubes em São Paulo e no Rio de Janeiro, além de arenas em regiões premium e bairros estratégicos.
Para tirar do papel o Galácticos Rackets, Marco Farah, um dos sócios da divisão de ativos proprietários do Ronaldo, afirma à EXAME que serão investidos R$ 25 milhões para começar a primeira fase do projeto, que inclui o lançamento das primeiras unidades.
“Inicialmente, serão 7 unidades, sendo duas delas Galácticos Club, em São Paulo e no Rio de Janeiro, e as demais Galácticos Arenas em bairros estratégicos. Dentro do nosso plano de negócio já tem até terreno com contrato assinado, mas mudanças podem acontecer com a rodada de investimento, como a aposta em unidades na região Nordeste ou no Sul”, afirma o sócio, que vê a região Sul como um dos mercados mais promissores para o padel no país.
O projeto, segundo Farah, ainda não tem patrocínio e o foco está na rodada de investimento, que está aberta.
“Futuramente buscaremos patrocínios que agreguem no negócio e não só assinem o cheque. Queremos crescer no lugar certo para o público adequado, que vai construir junto com a gente essa nova marca, que é um xodó do Ronaldo”, diz o executivo que já trabalha com o ex-jogador há mais de 10 anos.
A operação começa a sair do papel ainda em 2026, com as primeiras unidades em funcionamento no fim do ano. O grosso das inaugurações, no entanto, está previsto para 2027, quando o projeto deve ganhar escala e consolidar sua presença no Brasil.
Mais do que uma diversificação, o movimento do ex-jogador e seus sócios aponta para uma mudança estrutural: o esporte deixou de ser apenas entretenimento e virou plataforma de negócios. E Ronaldo, mais uma vez, parece estar jogando onde poucos ainda chegaram.
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