Cartão de crédito deve puxar inadimplência no 2º tri, alerta BB
A inadimplência de clientes do Banco do Brasil deve ganhar pressão adicional no 2° trimestre de 2026, principalmente por causa do cartão de crédito. Executivos do banco identificaram um agravamento do risco de crédito ligado ao agronegócio e ao consumo das famílias, segundo afirmaram durante a coletiva à imprensa sobre os resultados financeiros do 1° trimestre deste ano.
"Observamos uma piora no comportamento, principalmente do nosso cliente de cartão de crédito. O cliente que tem menos resiliência ao cenário econômico", afirmou o CRO. "Vai afetar a inadimplência, principalmente cartão de crédito no segundo tri de 2026", acrescentou.
O movimento ocorre em paralelo ao aumento das dificuldades financeiras enfrentadas por produtores rurais, que passaram a contaminar também operações de pessoa física. Como muitos clientes do agro concentram sua vida financeira no Banco do Brasil, o aperto no fluxo de caixa das atividades rurais acaba se refletindo também em despesas pessoais e linhas de varejo.
Diante desse cenário, o banco decidiu reforçar provisões de forma preventiva antes mesmo de parte dessas operações migrar para atrasos superiores a 90 dias. O banco apresentou um salto de 85,8% na na Provisões para Devedores Duvidos (PDD), valor destinado a cobrir o não pagamento dívidas dos clientes, que chegou a 18,9 bilhões de reais em março.
O índice de inadimplência acima de 90 dias da carteira de crédito subiu de 3,63% para 5,05% nos primeiros três meses do ano.
A deterioração da qualidade do crédito também pressionou a rentabilidade do banco. O retorno sobre patrimônio líquido (ROE) caiu para 7,3% no trimestre.
"Ele é muito fruto desse agravamento do risco, principalmente na carteira rural e também um pouco agora prudencialmente que fizemos na carteira de pessoa física", afirmou Geovanne Tobias, vice-presidente financeiro do Banco do Brasil.
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