Casas Bahia melhora operação, mas prejuízo vai a R$ 1,5 bi em 2025 com baixa contábil

Por Clara Assunção 12 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Casas Bahia melhora operação, mas prejuízo vai a R$ 1,5 bi em 2025 com baixa contábil

O Grupo Casas Bahia (BHIA3) encerrou o quarto trimestre de 2025 ainda no vermelho, apesar de mostrar melhora operacional e avanços na reestruturação financeira no balanço divulgado nesta madrugada. A companhia registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 79 milhões no período, uma melhora de 82,5% em relação à perda de R$ 452 milhões no quarto trimestre de 2024.

No acumulado de 2025, porém, o resultado continuou pressionado. O prejuízo líquido somou R$ 1,538 bilhão no acumulado do ano, alta de 47,2% frente ao prejuízo de R$ 1,04 bilhão registrado em 2024.

A varejista apontou que um ajuste relacionado a impostos diferidos, os tributos que uma companhia pagará ou receberá no futuro devido a diferenças temporárias entre seu lucro contábil e sua renda tributável, pesou sobre o resultado contábil do trimestre.

Uma empresa normalmente projeta utilizar esses créditos em um prazo de 10 anos, mas devido às incertezas do cenário geopolítico global foram realizados testes de estresse considerando variáveis como inflação, juros e crescimento da economia.

Por uma "questão de prudência e conservadorismo", segundo o CFO, Elcio Ito, a gestão decidiu fazer uma provisão contábil, o ajuste negativo, no valor de R$ 1,450 bilhão, o que elevou o prejuízo líquido reportado para R$ 1,529 bilhão no trimestre. A companhia destacou, contudo, que o efeito é contábil e não tem impacto no caixa.

Indicadores operacionais avançam

Apesar do resultado líquido negativo, os indicadores operacionais mostraram avanço. O Ebitda ajustado, que mede o resultado da operação sem efeitos financeiros, alcançou R$ 826 milhões no quarto trimestre, crescimento de 29,1% na comparação anual, com margem Ebitda de 9,8%, ante 8% no mesmo período do ano anterior.

No acumulado de 2025, o Ebitda ajustado totalizou R$ 2,555 bilhões, com margem de 8,8%.

A receita líquida da varejista foi de R$ 8,471 bilhões no quarto trimestre, enquanto no acumulado do ano chegou a R$ 29,197 bilhões.

Os dados operacionais refletem também o avanço nas vendas. O GMV (volume bruto de mercadorias) consolidado cresceu 8,7% em relação ao quarto trimestre de 2024, alcançando R$ 13,1 bilhões, o maior nível já registrado pela companhia. No acumulado de 2025, o GMV avançou R$ 3,6 bilhões na comparação com 2024.

O desempenho do período foi impulsionado por datas relevantes para o varejo, como Black Friday e Natal. "As vendas tiveram crescimento com GMV recorde da companhia no quarto trimestre, atingindo R$ 13,1 bilhões. Isso mostra claramente nosso desempenho em Black Friday e Natal, com uma execução muito positiva e eficiente", afirmou o diretor financeiro.

O GMV do e-commerce também avançou 21,7%, enquanto o GMV online de vendas próprias (1P) cresceu 25,6%, o maior avanço em 16 trimestres. O marketplace (3P) registrou alta de 16,1% no GMV, com crescimento de 16,2% na receita e take rate de 12,1%.

Desaceleração nas lojas físicas

Nas lojas físicas, houve desaceleração. As vendas nas mesmas lojas (SSS) cresceram 2,6% no trimestre, desacelerando frente aos 17,1% registrados no mesmo período do ano anterior.

Ito argumenta que, como a empresa cresceu 17% no ano anterior, torna-se mais difícil manter o mesmo ritmo de expansão sobre uma base já elevada. "Se olharmos o crescimento do ano passado mais o desse ano, ele dá quase 20% que você cresceu 10% ao ano, que é muito bom", disse.

O CFO também avalia que "dado o cenário macroeconômico,  com taxas de juros a 15% ao ano, o que nós estamos vivendo, não é um crescimento ruim, não", acrescentou.

Eficiência de custos e dívida

A melhora operacional também veio acompanhada de maior controle de custos. As despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) somaram R$ 1,906 bilhão no quarto trimestre, enquanto no acumulado do ano totalizaram R$ 6,633 bilhões. As outras despesas operacionais ficaram em R$ 57 milhões no trimestre e R$ 175 milhões em 2025.

Os custos das mercadorias vendidas ficaram em aproximadamente R$ 5,8 bilhões no quarto trimestre e R$ 20,288 bilhões no acumulado do ano.

Apesar dos gastos, a companhia conseguiu ampliar a margem bruta para 31,5% no quarto trimestre, ante 30,8% um ano antes, enquanto as despesas SG&A foram reduzidas em 1,3 ponto percentual em relação à receita líquida.

O grupo Casas Bahia também destacou sua reestruturação da estrutura de capital. A empresa reduziu sua dívida líquida ajustada em 75%, que encerrou o trimestre em R$ 1,13 bilhão.

Com isso, a alavancagem financeira caiu de 1,9 vez para 0,4 vez o Ebitda ajustado. "Tivemos um passo decisivo na transformação da estrutura de capital da companhia", afirmou Ito.

De acordo com o executivo, dois movimentos foram determinantes para ess resultado, a conversão de R$ 1,6 bilhão em dívida em capital realizada em agosto e uma redução adicional de cerca de R$ 3 bilhões na dívida no fim do ano.

O fluxo de caixa livre da firma foi positivo em R$ 1,8 bilhão no quarto trimestre, acima dos R$ 1,2 bilhão registrados no mesmo período de 2024. "Quando eu reduzo drasticamente a minha dívida e os custos dessas dívidas, isso vai melhorar muito o fluxo de caixa da companhia", disse o CFO das Casas Bahia.

Resultado financeiro segue pressionando

Apesar da melhora operacional, o resultado financeiro continuou pressionando o resultado final. No quarto trimestre, ele ficou negativo em R$ 557 milhões, abaixo dos R$ 921 milhões registrados no mesmo período de 2024.

No acumulado do ano, porém, o impacto foi maior, as despesas financeiras líquidas somaram R$ 3,687 bilhões em 2025, alta de 68,6% na comparação com 2024. "A equação é continuar melhorando o resultado operacional e reduzir o resultado financeiro negativo", afirmou Ito.

"A estrutura de capital deu um passo fundamental para a companhia caminhar na trajetória de reversão do prejuízo para lucro. Mas é um processo gradual, não acontece do dia para a noite", concluiu o diretor financeiro.

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