Cuba aprova reformas para ampliar economia de mercado em meio à crise
O Partido Comunista de Cuba aprovou nesta quarta-feira um pacote de reformas econômicas que amplia a participação do setor privado na economia da ilha, em uma tentativa de enfrentar a grave crise agravada por sanções dos Estados Unidos e pela escassez de combustíveis.
As medidas foram aprovadas durante uma sessão extraordinária do Comitê Central do partido, único do país, e agora seguem para votação na Assembleia Nacional do Poder Popular. O pacote prevê a abertura de mais setores ao investimento privado, incentivos para atrair capital de cubanos que vivem no exterior e uma redução da estrutura estatal.
O ex-presidente Raúl Castro, de 95 anos, manifestou apoio às mudanças em uma carta lida durante a reunião. Segundo ele, as reformas representam o caminho mais adequado para preservar a Revolução Cubana diante do atual cenário econômico.
Nos últimos meses, o governo cubano já havia autorizado a criação de empresas mistas entre o Estado e investidores privados, além de permitir que integrantes da diáspora cubana invistam e abram negócios no país.
O primeiro-ministro Manuel Marrero afirmou que as medidas não significam abandono das responsabilidades sociais do Estado. Segundo ele, as mudanças incluem ainda uma reestruturação administrativa, com redução de ministérios e do número de funcionários públicos.
As reformas ocorrem em meio a uma das piores crises econômicas enfrentadas por Cuba nas últimas décadas. O governo atribui parte das dificuldades ao embargo dos Estados Unidos e às restrições impostas pelo presidente Donald Trump.
A escassez de petróleo provocou apagões frequentes e agravou problemas de abastecimento de alimentos, medicamentos, água potável e combustíveis. Segundo Havana, as mudanças aprovadas podem ajudar a reduzir os impactos da crise e estimular a recuperação econômica.
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