Minerais Críticos: o novo eixo da geopolítica energética

Por Pedro Brun Cotrim 18 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Minerais Críticos: o novo eixo da geopolítica energética

A disputa por minerais críticos deixou de ser apenas uma questão industrial e passou a definir a segurança energética global, e o Brasil está diante de uma janela estratégica rara. À medida que a transição energética avança, cresce a demanda por minerais utilizados em sistemas elétricos como as renováveis e baterias, cujos preços já impactam diretamente o investimento nessas tecnologias.

Atualmente, a China controla uma parcela significativa da extração e, sobretudo, do refino desses minerais. Essa predominância é capaz de influenciar o fornecimento e os preços de insumos essenciais à descarbonização e à expansão dos sistemas elétricos. As recentes disputas tarifárias entre China e Estados Unidos provaram a vulnerabilidade das cadeias globais. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), a duplicação dos preços de minerais como lítio e níquel pode elevar em cerca de 6% o custo das baterias. Ao mesmo tempo, neodímio e disprósio, elementos cruciais para ímãs permanentes de turbinas eólicas, também enfrentam riscos de escassez, reforçando a urgência de diversificação e maior resiliência nas cadeias de suprimento.

Nesse cenário, o Brasil se destaca como alternativa estratégica. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o Brasil abriga uma das maiores reservas de minerais críticos do planeta, com destaque para o lítio em Minas Gerais e o nióbio em Goiás. O desafio, contudo, está no refino, etapa complexa e ainda concentrada na Ásia, que agrega valor e define competitividade. O recente acordo de minerais críticos com Índia e Coreia mostra que o país não pretende ser apenas fornecedor de insumos, mas também consolidar cooperação produtiva e tecnológica para se posicionar como player relevante nesse mercado.

Apesar do potencial, entraves normativos ainda impedem o setor de alcançar sua maturidade. A ausência de um marco legal robusto para incentivar e regular a exploração de terras raras segue sendo o principal obstáculo. A associação dos minerais críticos e o setor privado argumentam que políticas de incentivo fiscal e regras claras seriam fundamentais para atrair investimentos e fomentar a competitividade no mercado. Mesmo com avanços pontuais, como o Guia do Investidor para Minerais Críticos, que detalha as vantagens competitivas do país, a consolidação de um ambiente regulatório será determinante para que o país deixe de ser fornecedor periférico e passe a exercer influência real nas cadeias globais de energia.

A transição energética não será apenas tecnológica, será também mineral. E o protagonismo global dependerá de quem dominar não apenas a extração, mas o refino, a indústria e a inovação associada a esses recursos. O Brasil pode ir além de sua matriz elétrica limpa e diversificada e se afirmar como plataforma produtiva da transição energética justa.

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