Nova espécie de dinossauro 'pescoçudo' é identificada no Maranhão
Uma nova espécie de dinossauro foi identificada a partir de fósseis encontrados em uma obra de ferrovia em Davinópolis, no Maranhão. O estudo, publicado no periódico científico Journal of Systematic Paleontology, descreve o animal como um saurópode que viveu há cerca de 120 milhões de anos, durante o período Cretáceo.
O dinossauro recebeu o nome de Dasosaurus tocantinensis e podia alcançar aproximadamente 20 metros de comprimento. Ele integra o grupo dos titanossauriformes, dinossauros quadrúpedes de pescoço longo que antecederam os titanossauros, conhecidos por incluir algumas das maiores espécies terrestres já registradas.
Descoberta
Os ossos foram localizados em 2021, durante trabalhos de terraplanagem na região metropolitana de Imperatriz. Após a identificação inicial do material, especialistas foram acionados para avaliar o achado, conforme prevê a legislação para vestígios paleontológicos.
A análise indicou que os fósseis estavam inseridos em camadas geológicas associadas à Formação Itapecuru, com idade estimada em cerca de 115 milhões de anos. A escavação foi realizada ao longo de cerca de duas semanas, sem interromper o andamento da obra.
Ossos de grande porte
Entre os fósseis recuperados estão fragmentos da perna, do braço, da bacia, costelas e partes do pé. Um dos elementos mais relevantes é um fêmur com aproximadamente 1,5 metro de comprimento, evidência do porte elevado do animal.
Exames microscópicos do tecido ósseo revelaram padrões estruturais que diferenciam o Dasosaurus de outros saurópodes já encontrados no Brasil. Segundo os pesquisadores, trata-se do primeiro titanossauriforme não titanossauro descrito no território brasileiro, ampliando a diversidade conhecida para o Cretáceo no país.
Indícios de dispersão
A equipe científica sugere que a linhagem do dinossauro pode ter surgido na Europa há cerca de 130 milhões de anos, com posterior dispersão pelo norte da África até alcançar a América do Sul.
Comparações com outros titanossauriformes de idade semelhante indicam que o fóssil maranhense pode ajudar a compreender os padrões de migração desses animais antes da separação definitiva dos continentes.
Maranhão pode revelar novas espécies
Com a descrição do Dasosaurus tocantinensis, o Maranhão passa a contabilizar três espécies de dinossauros pescoçudos formalmente registradas. Diferentemente de outros achados no estado, geralmente associados a áreas litorâneas ou margens de rios, o novo fóssil foi identificado em uma localidade até então pouco explorada.
O nome da espécie faz referência à vegetação densa da região onde foi encontrado. Os fósseis estão atualmente depositados no Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão, em São Luís.
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