O cadastro imobiliário brasileiro e a nova era da transparência patrimonial

Por Jose Mario Marim Jr 25 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O cadastro imobiliário brasileiro e a nova era da transparência patrimonial

Noventa milhões! Esse é o número aproximado de domicílios no Brasil. Desses, estima-se que 50% possuam algum tipo de irregularidade cadastral. Faça uma conta rápida comigo: se apenas 10% desses imóveis irregulares gerarem uma autuação média de R$ 15 mil em tributos não pagos, estamos falando de bilhões em potencial de arrecadação. Entendeu o CIB? Explico melhor.

O Cadastro Imobiliário Brasileiro, o "CPF dos imóveis", começou a ser exigido em janeiro de 2026 por órgãos federais e cartórios. Por meio do Sinter (Sistema Nacional de Gestão de Informações Territoriais), integra dados de cartórios, prefeituras e da Receita Federal. Na prática, cada tijolo do seu patrimônio agora pode ser rastreado: matrícula, IPTU, declarações de IR, contratos de locação e movimentações bancárias.

Para holdings patrimoniais, o impacto é direto. Integralizar imóvel de R$ 2 milhões por R$ 400 mil era prática comum. Com o "valor de referência" que a Receita calculará anualmente, essa discrepância ficará exposta. No mercado de locação, a informalidade também tende a desaparecer : o sistema identificará automaticamente divergências entre declarações de inquilinos e proprietários.

O CIB não é um vilão. Ele é, na verdade, uma base de dados organizada. Uma referência que mostrará a real situação do patrimônio imobiliário brasileiro. Além de maior organização e transparência, o mercado se beneficiará de um maior equilíbrio concorrencial dentro do setor imobiliário, dificultando a vida de quem construiu patrimônio na base do "jeitinho brasileiro”. Além  disso, aqueles que estiverem organizados, colherão uma valorização patrimonial de seus imóveis versus restante do mercado. Por último, teremos sim uma maior fiscalização, porém haverá mais segurança jurídica para as transações imobiliárias em geral, menor abertura para fraudes, gerando maior confiança ao mercado e, possivelmente, aumentando número de investidores do setor.

E deixo uma provocação final: será que o medo que o CIB despertou não é o medo de finalmente jogar pelas regras? A transparência não é inimiga da rentabilidade. A falta de planejamento, sim. Lembre-se, sempre existem dois lados em uma moeda!

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