PIB deve acelerar no 1º trimestre com impulso do consumo, agro e petróleo
As projeções do mercado apontam crescimento entre 0,8% e 1,2% na comparação com o trimestre anterior, com ajuste sazonal, após a perda de ritmo observada no fim de 2025.
As estimativas refletem uma combinação de fatores que sustentaram a atividade no início do ano, como o avanço do agronegócio, o aumento da produção de petróleo, estímulos fiscais voltados ao consumo e um mercado de trabalho ainda resiliente.
Ao mesmo tempo, economistas avaliam que parte desse desempenho tende a perder força ao longo dos próximos meses, diante do crédito mais restrito e dos juros elevados.
Um relatório do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) estima crescimento de 1,1% no primeiro trimestre ante os três meses anteriores e alta de 1,8% na comparação anual. Segundo o banco, o resultado deve confirmar uma aceleração da atividade econômica após a estagnação registrada no segundo semestre de 2025.
Já o Itaú BBA trabalha com uma projeção mais forte, de alta de 1,2% na margem e avanço de 2% em relação ao mesmo período do ano passado. Para os economistas Natalia Cotarelli e Marina Garrido, que assinaram o relatório, os serviços seguem resilientes, enquanto a indústria mostra recuperação puxada pela transformação industrial e pela produção de petróleo e minério de ferro.
O banco também destaca que medidas fiscais e de crédito anunciadas nas últimas semanas aumentaram o viés de alta para a projeção de crescimento do PIB neste ano, atualmente em 1,9%.
A consultoria 4intelligence estima crescimento de 1% do PIB na comparação trimestral e alta de 1,8% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
Segundo a casa, a retomada do crescimento no início do ano foi influenciada principalmente pela ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, pela liberação extraordinária de recursos do FGTS e pelo avanço da agropecuária.
A consultoria também projeta recuperação da indústria após o desempenho fraco no fim do ano passado, com destaque para a indústria extrativa, impulsionada por novos recordes na produção de petróleo e gás natural. Nos serviços, o avanço deve continuar disseminado, apoiado pelo consumo das famílias e pela resiliência do mercado de trabalho.
O Banco Inter projeta crescimento de 0,8% no trimestre e 1,6% na comparação anual. Para Rafaela Vitória, economista-chefe da instituição, o desempenho do início do ano deve ser puxado principalmente pelo agronegócio e pela indústria extrativa, em linha com o cenário visto no segundo semestre de 2025.
Segundo a economista, o segundo trimestre ainda pode mostrar algum reaquecimento da demanda em função dos estímulos fiscais, mas o ambiente de crédito mais restritivo deve limitar uma expansão mais forte do consumo das famílias ao longo do ano.
Consumo deve liderar crescimento no início do ano
Para Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, o crescimento do primeiro trimestre deve marcar uma interrupção na trajetória de desaceleração observada no fim de 2025. A projeção do banco é de alta de 0,8% na passagem trimestral.
Segundo Ricciardi, o principal motor da atividade no período foi o consumo das famílias, favorecido pela ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e pela valorização real do salário mínimo. As exportações de soja e petróleo também devem contribuir positivamente para o desempenho do PIB no trimestre.
Por outro lado, o economista afirma que os investimentos seguem pressionados pelo nível elevado da taxa de juros. A expectativa é de desempenho negativo da Formação Bruta de Capital Fixo na comparação anual, refletindo um ambiente ainda mais desafiador para expansão da atividade produtiva.
Apesar da aceleração no início do ano, a maioria das instituições financeiras ainda trabalha com um cenário de desaceleração gradual da economia ao longo de 2026.
A avaliação predominante é de que os estímulos fiscais e programas de incentivo ao crédito devem ajudar a sustentar parte da atividade, mas sem força suficiente para manter o mesmo ritmo observado no primeiro trimestre, ainda mais com a taxa de juros ainda em patamar restritivo.
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