Por trás do hit: produtores revelam como nasceu ‘Carnaval’, de Marina Sena
A música "CARNAVAL", de Marina Sena, dominou as redes sociais e os blocos de rua em 2026.
Na sexta-feira de Carnaval, 13, a versão da música feita em parceria com o pagodeiro baiano Psirico chegou ao 23º lugar das músicas mais ouvidas do Spotify Brasil.
Mais do que sua posição nas listas de mais ouvidas, "CARNAVAL" conquistou relevância cultural no país. Na semana de Carnaval, circulavam memes sobre como as duas músicas únicas existentes no Brasil eram "Jetski", da cantora Melody, e o hit de Marina Sena.
Surpreendentemente, o hit nasceu quase por acaso em uma madrugada no estúdio, contam os produtores Janluska, Enzo Dicarlo e Pedro Lucas em vídeo publicado nesta terça-feira, 24.
A primeira versão foi lançada em abril de 2025, no álbum "Coisas Naturais". Na época, as músicas mais ouvidas do disco foram "Lua Cheia e "Numa Ilha", com "CARNAVAL" tendo pouco apelo com o público geral.
"Já tinha acabado o disco, 'Coisas Naturais', já tinha entregado 'SENSEI' e a Marina queria levantar mais uma música, ela queria fazer um funk", conta Janluska, no vídeo.
"Daí eu falei: 'eu não sei fazer funk, não faz parte da minha escola musical, mas eu sei quem sabe fazer'", disse o produtor, que então entrou em contato com os colegas Enzo Dicarlo e Pedro Lucas.
A fusão de dois beats que virou fenômeno
O segredo por trás do groove irresistível de "CARNAVAL" está na fusão improvável de dois beats completamente diferentes.
Pedro Lucas revela que sua base era um edit da música de abertura da série "Ruptura", da Apple TV, enquanto Enzo trabalhava com um remix de "As Long As I Love Me", de Justin Bieber.
"A gente descobriu que esses beats funcionavam juntos quando, sem querer, demos play nas duas faixas ao mesmo tempo", conta Enzo.
A escolha da célula rítmica também foi estratégica. "A gente escolheu uma célula do funk muito famosa que faz uma mescla interessante com o funk e com esse clima meio de carnaval que é a marchinha", explica Janluska.
"Tem tanto a marchinha de carnaval quanto a marchinha do funk, o que facilitou muito essa mescla."
Pesquisa de timbres e identidade sonora
Para manter a coesão com o universo de "Coisas Naturais", Janluska preparou uma pasta de timbres com o produtor Biel, outra presença recorrente nos créditos do álbum.
"Tinha lá textura de percussão, tinha textura de samplezinho de sintetizador, tinha algumas coisas de voz da Marina", detalha.
Um dos elementos mais marcantes é o berimbau gravado em Salvador, no Candeal. "Ele tá o tempo todo presente na faixa, ele está presente aqui na introdução", aponta Janluska, mostrando como o instrumento foi "picotado" e transformado em texturas eletrônicas ao longo da música.
As percussões ao vivo também foram fundamentais. Tainá Troccoli, percussionista responsável por gravar boa parte do disco, contribuiu com samples de conga, timbal e derbake.
As percussões de escola de samba completam a sonoridade carnavalesca. "Isso é uma parada que a Marina gostava de propor, ela tem esse clima de colagem", observa um dos produtores.
O elemento secreto: a garrafa
Um dos timbres mais icônicos da faixa é também o mais inusitado.
"A principal coisa dessa música, eu acho, é esse sample feito com a garrafa de Skol Beats", brinca Janlusca. A batida é responsável pelo som agudo e delicado que se mistura às batidas metálicas e de tambor.
"A gente conduz a atenção da música através dos efeitos de espacialidade, que eles aparecem, secam e te conduzem para essa explosão", explica Enzo sobre a dinâmica da produção.
A participação de Psirico e a versão estendida
Quando a música tomou vida própria nos shows, a equipe decidiu criar uma versão estendida para o EP "Marinada", lançado em dezembro de 2025.
A extensão incorporou elementos dos shows ao vivo e uma introdução que lembra música folclórica e sons das florestas tropicais. "Essa música tomou mais forma nos shows, ela tomou uma outra vida. O nosso time de percussão 'deu um molho' para ela, que é absurdo", conta Janluska.
A nova versão também contou com a participação do pagodeiro baiano Psirico. "A gente ficou muito animado, pois já sabíamos que seria um equilíbrio perfeito para a voz da Marina", afirma um dos produtores.
Outra adição especial é um trecho da música "Desmitificar", também de "Coisas Naturais", dentro de "CARNAVAL". Segundo os produtores, a ideia de inserir o coro "você vai ver, meu gira na roda" na versão estendida foi da própria Marina.
Detalhes que fazem a diferença
Os produtores revelam que até os gritos de público foram incorporados à produção.
"A última coisa que a gente colocou na track foi no final, a parte mais apoteótica do som", diz Enzo. "Tinha bastante gente no estúdio para essa música e as pessoas começaram a curtir. A gente colocou o microfone, deixou a track baixinha e ficou gravando a galera cantando e dançando."
Os delays curtos com muito feedback são outro segredo da produção, responsáveis pelo som distinto da frase "quer tapa? toma tapa", repetida na música. "A gente tem um hack que a gente usa sempre, são esses delays curtos e com bastante feedback, usados no funk", afirma Enzo.
O resultado final é uma faixa que mistura elementos de funk paulista e carioca, marchinha de carnaval, percussão de escola de samba e texturas eletrônicas experimentais.
"Todos os elementos dessa música estão a serviço do groove. Até as coisas de ambiência, você imaginaria que estariam estáticas na música, mas elas pulsam junto com tudo que está acontecendo", resume Janluska.
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