Tudo sobre o Tesouro Reserva: título estreia hoje com aporte mínimo de R$ 1
A B3, em parceria com a Secretaria do Tesouro Nacional e o Banco do Brasil, lançam oficialmente nesta segunda-feira, 11, o Tesouro Reserva (veja as regras abaixo), novo título do programa Tesouro Direto.
A novidade chega com a proposta de ampliar o acesso a investimentos de curtíssimo prazo, com foco em simplicidade, liquidez e baixo valor inicial, mirando especialmente o público de varejo. Para Betty Grobman, especialista em Mercado Financeiro, sócia da BSG Treinamento e professora do Insper, B3, Saint Paul e Fipecafi, a iniciativa é bem-vinda.
Segundo ela, o Tesouro Direto sempre foi uma plataforma muito “amigável”, e suas regras muito mais democráticas do que as regras dos produtos bancários, por exemplo (onde volumes de investimento, prazos e horizontes de investimentos fazem muita diferença).
Mas ainda há baixa penetração diante do potencial do Tesouro Direto no Brasil. Isso ocorre principalmente por dois fatores. O primeiro é a necessidade de intermediação de corretoras ou distribuidoras para investir, o que adiciona uma etapa a mais no processo de aplicação.
O segundo é a complexidade da própria oferta de produtos, que inclui títulos prefixados, pós-fixados e híbridos, cada um com regras diferentes de precificação, indexação e fluxo de pagamentos. Essa variedade acaba dificultando a compreensão para o investidor comum, inclusive no caso do Tesouro Selic, que é o produto mais simples da categoria.
“O Tesouro Direto percebeu isso e tratou de desenvolver um produto simplificado, onde o investidor com qualquer valor a partir de R$ 1, consiga investir através de seu banco e com regras muito semelhantes às das caixinhas ou mesmo às da poupança”, diz.
O que é o Tesouro Reserva
O Tesouro Reserva é um título público federal atrelado à taxa Selic, funcionando como uma alternativa de baixo risco para quem busca deixar dinheiro disponível para emergências.
Entre suas principais características estão:
“A ideia é pagar 100% da Taxa Selic. Não um porcentual, não a taxa mais um porcentual adicional, não a taxa mais inflação, somente a taxa. E como ela só tem mudado em função das decisões do Copom a cada seis semanas, e é expressa diariamente, é desnecessário qualquer tipo de apreçamento ou marcação a mercado”, explica Grobman.
Liquidez 24 horas e foco em praticidade
Um dos principais diferenciais do Tesouro Reserva é o funcionamento contínuo. A aplicação e o resgate podem ser feitos em qualquer horário, todos os dias da semana, algo que o aproxima de soluções já oferecidas por bancos, como “caixinhas” e cofrinhos digitais.
Além disso, a operação foi desenhada para reduzir etapas de acesso, permitindo que o investidor não precise sair do ambiente bancário para investir no Tesouro Direto.
Na fase inicial, o produto será disponibilizado para cerca de 80 milhões de correntistas do Banco do Brasil, que participa da operação de lançamento. O projeto passou por ajustes operacionais e testes antes da estreia, o que acabou adiando seu cronograma original.
Concorrência direta com poupança e outros produtos
Segundo a executiva, o Tesouro Reserva nasce com a proposta clara de disputar espaço com a poupança e também com as chamadas “caixinhas” dos bancos, hoje amplamente usadas pelos brasileiros para organizar e guardar recursos de curto prazo.
Ela destaca que a poupança ainda tem um apelo forte no país por sua simplicidade e pela percepção de segurança construída ao longo de mais de 160 anos, mesmo entregando uma rentabilidade inferior à inflação na maior parte do tempo.
Nesse sentido, Grobman avalia que romper esse vínculo histórico não é simples, mas acredita que o Tesouro Nacional pode ter mais força para atrair parte desse investidor de varejo.
Na comparação com as caixinhas e com produtos automáticos de bancos, ela afirma que esses instrumentos costumam ser vistos pelo cliente como soluções práticas, que “não atrapalham e ainda rendem algum dinheiro”, além de ajudarem minimamente na organização financeira.
Ainda assim, ela vê alguns fatores como decisivos para o sucesso do Tesouro Reserva: a liquidez diária com remuneração mesmo em períodos muito curtos de aplicação, o rendimento integralmente atrelado à Selic de forma estável ao longo do tempo e a integração direta com a conta bancária sem necessidade de corretoras ou acesso à plataforma do Tesouro Direto.
Mas há um inconveniente: a incidência de impostos. Segundo o Tesouro informou à EXAME, o novo título vai seguir as mesmas regras dos demais do Tesouro Direto. Sendo assim, há incidência de Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos, no momento do resgate ou do vencimento, com alíquotas regressivas.
E para aplicações resgatadas em até 30 dias, pode haver cobrança de IOF, que é também regressiva e zerada após esse período.
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